Morreu Mattia Maestri, a criança que aos quatro anos contraiu uma grave infeção por Escherichia coli através do consumo de queijo de leite cru contaminado. Estava em estado vegetativo desde 2017.
A informação foi avançada pelo pai da criança, Giovanni Battista Maestri, citado pelo jornal italiano II T Quotidiano. “O nosso Mattia deixou-nos e, em nome dele, agradeço por nos ajudarem a tornar a sua morte menos dolorosa”, pode ler-se.
O que aconteceu com Mattia?
Foram nove anos de tratamentos desde o dia 5 de junho de 2017, quando o menino italiano foi internado. Em causa, estava o consumo de um pedaço do queijo “Due Laghi”, produzido com leite cru pela queijaria de Coredo, no vale de Non.
Segundo explicou o pai, que tem sido o grande representante do alerta para os perigos do consumo de leite cru e produtos derivados, a origem da contaminação estará associada a uma falha durante a recolha do leite: um tubo que terá estado em contacto com estrume foi alegadamente utilizado nos tanques da queijaria, contaminando o leite destinado ao fabrico dos queijos.
A contaminação no corpo de Mattia levou ao desenvolvimento da Síndrome Hemolítico-Urémica (SHU), uma doença rara e grave definida por três alterações principais: destruição dos glóbulos vermelhos (anemia hemolítica), diminuição das plaquetas no sangue (trombocitopenia) e lesão aguda nos rins (insuficiência renal). Esta síndrome pode comprometer a circulação do sangue para órgãos vitais, incluindo o cérebro.
Mattia foi transferido do hospital de Cles para o hospital de Santa Chiara, onde a médica de serviço na urgência pediu o apoio de uma pediatra que se recusou a intervir por estar “cansada de um dia inteiro de trabalho”. A criança acabou por ser operada ao apêndice, ainda que essa não fosse a causa do problema. “Se a pediatra o tivesse observado, pelo menos não o teriam operado e talvez o estado dele não tivesse piorado”, recorda Giovanni Battista Maestri.
Após a intervenção cirúrgica, Mattia entrou num “estado vegetativo irreversível”. Nos últimos nove anos, tomava 47 medicamentos por dia e sofria cerca de 40 crises epilépticas a cada 24 horas, além de ter perdido por completo a visão.
A família decidiu avançar judicialmente no caso, conseguindo a condenação do antigo presidente da queijaria e do mestre queijeiro, além de uma indemnização. Também a pediatra foi acusada de ofensas à integridade física por se ter recusado a prestar assistência médica à criança.