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O Governo do Equador acusou um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) de tentar entrar à força no consulado equatoriano em Minneapolis, num incidente que foi registado em vídeo e que está a gerar forte polémica diplomática.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Equador, os funcionários consulares impediram a entrada do agente na manhã de terça-feira, protegendo cidadãos equatorianos que se encontravam no interior do edifício. O episódio levou Quito a enviar uma nota formal de protesto à embaixada norte-americana.
A diplomacia equatoriana exigiu garantias de que “este tipo de atos não se repetirá” em nenhum dos consulados do país nos Estados Unidos, sublinhando a inviolabilidade das missões diplomáticas.
O incidente ocorre num contexto de grande tensão em Minneapolis, onde operações recentes do ICE têm provocado protestos e confrontos. Na semana passada, a divulgação de uma imagem e de um vídeo de uma criança equatoriana de cinco anos a ser escoltada por um agente de imigração, segurando-a pela mochila, desencadeou uma onda de indignação pública.
Um juiz norte-americano acabou por suspender temporariamente a deportação da criança, que foi detida juntamente com o pai.
Na terça-feira à noite, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um “ligeiro desagravamento” da situação após o envio de um representante federal para tentar acalmar os ânimos na cidade.
De acordo com dados oficiais, mais de 9.500 equatorianos foram deportados dos EUA só em 2025. O pico registou-se em 2023, com 18.400 deportações.
As operações do ICE em Minneapolis ficaram ainda marcadas por dois episódios fatais recentes: a morte de Renee Good, cidadã norte-americana abatida a tiro a 7 de janeiro, e a de Alex Pretti, enfermeiro, morto com dez disparos durante uma manifestação no passado fim de semana.