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O novo líder do Partido Trabalhista, Andy Burnham, foi oficialmente nomeado esta segunda-feira primeiro-ministro do Reino Unido pelo Rei Carlos III, durante uma audiência no Palácio de Buckingham, em Londres.
"Sua Majestade concedeu audiência ao Excelentíssimo Senhor Andrew Burnham, deputado, e solicitou-lhe que formasse um novo Governo. O Excelentíssimo Senhor Andrew Burnham, deputado, aceitou a proposta do Rei", informou a Casa Real.
O breve encontro entre o monarca e o novo chefe do Governo britânico é conhecido tradicionalmente como "kissing hands" ("beija mão"), embora a designação já não corresponda à descrição literal do procedimento.
De acordo com a tradição constitucional britânica, o líder do partido com maioria parlamentar pode ser nomeado primeiro-ministro sem necessidade de realização de novas eleições legislativas.
Keir Starmer apresenta demissão e deseja sucesso ao sucessor
Pouco antes da audiência com Andy Burnham, o Rei Carlos III recebeu Keir Starmer, que apresentou formalmente a demissão do cargo de primeiro-ministro.
Na despedida oficial, Starmer afirmou que o seu trabalho estava concluído e manifestou orgulho pelo período em que esteve à frente do Governo.
"O meu trabalho está concluído", declarou, garantindo que deixa o Reino Unido "mais forte e mais justo" do que há dois anos.
O antigo primeiro-ministro fez ainda um balanço positivo do seu mandato, defendendo que a economia está mais forte, os serviços públicos estão a recuperar, a pobreza infantil está a diminuir, a imigração caiu e a reputação internacional do país foi reforçada.
Starmer desejou ainda "todo o sucesso" ao sucessor e garantiu-lhe "total apoio".
"A política será sempre um desporto de equipa e agradeço ao povo britânico pela oportunidade de servir", afirmou.
Na despedida, acrescentou: "Parto de boa vontade, parto com um sorriso e parto orgulhoso de tudo o que alcançámos".
Quem é Andy Burnham, o novo primeiro-ministro britânico?
Aos 56 anos, Andy Burnham chega a Downing Street depois de uma longa carreira política e de uma passagem de quase uma década à frente da Câmara da Grande Manchester, cargo que ocupava desde 2017.
Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 7 de janeiro de 1970 e cresceu entre Liverpool e Manchester. É conhecido publicamente pelo diminutivo "Andy", que consta também dos seus registos oficiais.
Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, entrou para o Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-1985.
Foi eleito deputado por Leigh em 2001, cargo que exerceu até 2017. Durante os governos trabalhistas, desempenhou funções como ministro da Cultura e ministro da Saúde.
Burnham tentou liderar o Partido Trabalhista por duas vezes, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.
"Rei do Norte" ganhou protagonismo durante a pandemia
Andy Burnham ganhou projeção nacional durante a pandemia de covid-19, quando liderou a contestação a algumas das medidas adotadas pelo Governo britânico, defendendo um maior apoio às empresas e aos trabalhadores do Norte de Inglaterra.
A postura valeu-lhe o apelido de "Rei do Norte" e reforçou a sua popularidade na região.
Enquanto presidente da Câmara da Grande Manchester, destacou-se sobretudo pela reforma dos transportes públicos, promovendo a integração de autocarros, elétricos e comboios numa rede articulada e com tarifas mais acessíveis.
A sua ascensão à liderança trabalhista ocorreu depois de ter regressado ao Parlamento como deputado por Makerfield, num momento de desgaste do Governo de Keir Starmer e de crescimento da direita populista.
Os seus apoiantes destacam a capacidade de comunicação e a proximidade com os eleitores, características que consideram poderem ajudá-lo a recuperar apoio para o Partido Trabalhista em zonas tradicionalmente mais conservadoras.
Descentralização e maior controlo público entre as prioridades
Politicamente, Burnham apresenta-se como defensor de um "socialismo pró-negócios" e de uma intervenção mais forte do Estado em áreas consideradas estratégicas.
Nos últimos anos, criticou políticas de austeridade e medidas de contenção social, tendo-se manifestado contra aquilo que classifica como "desregulação, privatização, austeridade e Brexit".
Entre as suas prioridades estão a reforma dos serviços públicos, a reindustrialização e a regeneração territorial.
O novo primeiro-ministro defende ainda um maior controlo público sobre setores como a água, a habitação e os transportes, com o objetivo de reduzir custos para famílias e empresas.
Outra das suas propostas passa pela valorização das empresas britânicas nos contratos públicos e pelo reforço da formação profissional destinada aos jovens.
Uma das medidas mais simbólicas da nova liderança deverá ser a criação de um gabinete do primeiro-ministro em Manchester, com o objetivo de descentralizar o poder político e aproximar o Governo das regiões fora de Londres.
Adepto do Everton e ligado à cultura de Manchester, Burnham é também conhecido por ter uma tatuagem de uma abelha-operária, símbolo da cidade.
Com a nomeação oficial pelo Rei Carlos III, Andy Burnham inicia agora uma nova etapa política à frente do Reino Unido, sucedendo a Keir Starmer na liderança do Governo britânico.