segunda-feira, 17 ago. 2026

Andy Burnham oficialmente nomeado primeiro-ministro britânico

Andy Burnham foi oficialmente nomeado primeiro-ministro do Reino Unido pelo Rei Carlos III, durante uma audiência no Palácio de Buckingham. O antigo presidente da Câmara da Grande Manchester sucede a Keir Starmer, que apresentou formalmente a demissão após dois anos à frente do Governo britânico
Andy Burnham oficialmente nomeado primeiro-ministro britânico

O novo líder do Partido Trabalhista, Andy Burnham, foi oficialmente nomeado esta segunda-feira primeiro-ministro do Reino Unido pelo Rei Carlos III, durante uma audiência no Palácio de Buckingham, em Londres.

"Sua Majestade concedeu audiência ao Excelentíssimo Senhor Andrew Burnham, deputado, e solicitou-lhe que formasse um novo Governo. O Excelentíssimo Senhor Andrew Burnham, deputado, aceitou a proposta do Rei", informou a Casa Real.

O breve encontro entre o monarca e o novo chefe do Governo britânico é conhecido tradicionalmente como "kissing hands" ("beija mão"), embora a designação já não corresponda à descrição literal do procedimento.

De acordo com a tradição constitucional britânica, o líder do partido com maioria parlamentar pode ser nomeado primeiro-ministro sem necessidade de realização de novas eleições legislativas.

Keir Starmer apresenta demissão e deseja sucesso ao sucessor

Pouco antes da audiência com Andy Burnham, o Rei Carlos III recebeu Keir Starmer, que apresentou formalmente a demissão do cargo de primeiro-ministro.

Na despedida oficial, Starmer afirmou que o seu trabalho estava concluído e manifestou orgulho pelo período em que esteve à frente do Governo.

"O meu trabalho está concluído", declarou, garantindo que deixa o Reino Unido "mais forte e mais justo" do que há dois anos.

O antigo primeiro-ministro fez ainda um balanço positivo do seu mandato, defendendo que a economia está mais forte, os serviços públicos estão a recuperar, a pobreza infantil está a diminuir, a imigração caiu e a reputação internacional do país foi reforçada.

Starmer desejou ainda "todo o sucesso" ao sucessor e garantiu-lhe "total apoio".

"A política será sempre um desporto de equipa e agradeço ao povo britânico pela oportunidade de servir", afirmou.

Na despedida, acrescentou: "Parto de boa vontade, parto com um sorriso e parto orgulhoso de tudo o que alcançámos".

Quem é Andy Burnham, o novo primeiro-ministro britânico?

Aos 56 anos, Andy Burnham chega a Downing Street depois de uma longa carreira política e de uma passagem de quase uma década à frente da Câmara da Grande Manchester, cargo que ocupava desde 2017.

Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 7 de janeiro de 1970 e cresceu entre Liverpool e Manchester. É conhecido publicamente pelo diminutivo "Andy", que consta também dos seus registos oficiais.

Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, entrou para o Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-1985.

Foi eleito deputado por Leigh em 2001, cargo que exerceu até 2017. Durante os governos trabalhistas, desempenhou funções como ministro da Cultura e ministro da Saúde.

Burnham tentou liderar o Partido Trabalhista por duas vezes, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.

"Rei do Norte" ganhou protagonismo durante a pandemia

Andy Burnham ganhou projeção nacional durante a pandemia de covid-19, quando liderou a contestação a algumas das medidas adotadas pelo Governo britânico, defendendo um maior apoio às empresas e aos trabalhadores do Norte de Inglaterra.

A postura valeu-lhe o apelido de "Rei do Norte" e reforçou a sua popularidade na região.

Enquanto presidente da Câmara da Grande Manchester, destacou-se sobretudo pela reforma dos transportes públicos, promovendo a integração de autocarros, elétricos e comboios numa rede articulada e com tarifas mais acessíveis.

A sua ascensão à liderança trabalhista ocorreu depois de ter regressado ao Parlamento como deputado por Makerfield, num momento de desgaste do Governo de Keir Starmer e de crescimento da direita populista.

Os seus apoiantes destacam a capacidade de comunicação e a proximidade com os eleitores, características que consideram poderem ajudá-lo a recuperar apoio para o Partido Trabalhista em zonas tradicionalmente mais conservadoras.

Descentralização e maior controlo público entre as prioridades

Politicamente, Burnham apresenta-se como defensor de um "socialismo pró-negócios" e de uma intervenção mais forte do Estado em áreas consideradas estratégicas.

Nos últimos anos, criticou políticas de austeridade e medidas de contenção social, tendo-se manifestado contra aquilo que classifica como "desregulação, privatização, austeridade e Brexit".

Entre as suas prioridades estão a reforma dos serviços públicos, a reindustrialização e a regeneração territorial.

O novo primeiro-ministro defende ainda um maior controlo público sobre setores como a água, a habitação e os transportes, com o objetivo de reduzir custos para famílias e empresas.

Outra das suas propostas passa pela valorização das empresas britânicas nos contratos públicos e pelo reforço da formação profissional destinada aos jovens.

Uma das medidas mais simbólicas da nova liderança deverá ser a criação de um gabinete do primeiro-ministro em Manchester, com o objetivo de descentralizar o poder político e aproximar o Governo das regiões fora de Londres.

Adepto do Everton e ligado à cultura de Manchester, Burnham é também conhecido por ter uma tatuagem de uma abelha-operária, símbolo da cidade.

Com a nomeação oficial pelo Rei Carlos III, Andy Burnham inicia agora uma nova etapa política à frente do Reino Unido, sucedendo a Keir Starmer na liderança do Governo britânico.