Alexis Tsipras regressa à política e anuncia novo partido para disputar eleições na Grécia

O ex-primeiro-ministro grego anunciou o regresso à política com a criação de um novo partido, que será apresentado oficialmente a 26 de maio. O antigo líder do Syriza tenta recuperar protagonismo num momento de desgaste do Governo conservador de Kyriakos Mitsotakis, marcado por escândalos e contestação social
Alexis Tsipras regressa à política e anuncia novo partido para disputar eleições na Grécia

O ex-primeiro-ministro grego Alexis Tsipras anunciou esta segunda-feira o regresso à política ativa com o lançamento de um novo partido, cuja apresentação oficial está marcada para o próximo dia 26 de maio, numa altura em que a Grécia se prepara para eleições legislativas previstas para o próximo ano.

A confirmação foi feita através de um vídeo publicado na rede social Facebook, onde surgem dois jovens nas bancadas de um estádio de futebol a envergar camisolas com os números 26 e 5, numa referência à data do anúncio oficial da nova formação política. “Agora é o momento”, escreveu Tsipras na publicação, sem revelar, para já, o nome do partido.

Com 51 anos, Tsipras foi uma das figuras mais marcantes da esquerda europeia durante a última década. Líder do partido Syriza, então identificado com a esquerda radical e anti-austeridade, chegou ao cargo de primeiro-ministro em janeiro de 2015, no auge da crise financeira grega.

Na altura, prometeu pôr fim às duras medidas de austeridade impostas ao país, mas acabou por aceitar novos cortes e reformas exigidas pelos credores internacionais, incluindo a União Europeia e a Alemanha, para evitar a saída da Grécia da zona euro.

Após perder as eleições de 2019 para o conservador Kyriakos Mitsotakis, líder da Nova Democracia, Tsipras sofreu nova derrota pesada em 2023, quando o Syriza ficou a cerca de 20 pontos percentuais do partido no poder. Pouco depois, abandonou a liderança da formação e afastou-se da linha da frente política, apesar de ter mantido o mandato parlamentar.

Em outubro do ano passado, renunciou também ao lugar de deputado, alimentando os rumores sobre a criação de um novo projeto político.

O regresso de Tsipras acontece num contexto de crescente desgaste do Governo liderado por Mitsotakis. O executivo conservador tem sido alvo de críticas devido ao aumento do custo de vida e a vários escândalos políticos, entre os quais um caso relacionado com subsídios agrícolas sob investigação do Ministério Público Europeu.

Antes disso, o Governo já tinha sido abalado por um escândalo de escutas telefónicas ilegais que envolveu membros do executivo, jornalistas e o líder da oposição socialista, Nikos Androulakis.

Ao clima de descontentamento junta-se ainda a contestação em torno da investigação ao pior desastre ferroviário da história da Grécia, que provocou 57 mortos em 2023. O processo judicial relativo ao acidente só começou em março deste ano, alimentando críticas à lentidão da justiça e à atuação das autoridades.

Apesar da erosão da popularidade do Governo, a Nova Democracia continua, para já, na frente das sondagens, embora num cenário político cada vez mais fragmentado.

Entretanto, também Maria Karystianou, figura associada à tragédia ferroviária de 2023 e mãe de uma das vítimas, deverá lançar um novo partido político na próxima quinta-feira, aumentando ainda mais a pressão sobre o atual sistema partidário grego