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Revolução sem precedentes no dinheiro em espécie. O Banco de Inglaterra anunciou esta semana que pretende apagar das notas em circulação a imagem de figuras históricas e substituí-las por representações de elementos vegetais e animas nativos das ilhas britânicas.
Desaparecem das notas o ex-primeiro-ministro Winston Churchill, o escritor William Shakespeare, a escritora Jane Austen, o cientista Alan Turing ou o pintor William Turner. No seu lugar podem vir a surgir ouriços, papagaios-do-mar e texugos.
«O principal motivo para a emissão de novas notas é sempre melhorar a segurança contra falsificações, mas é também uma oportunidade de celebrar diferentes aspectos da vida britânica», justificou Victoria Cleland, do Banco de Inglaterra, citada pela Sky News.
A decisão tem gerado reações críticas da direita política. Nigel Farage, líder do Reform UK, classificou a decisão como «uma loucura do pensamento politicamente correto», noticiou o diário The Telegraph.
Ed Davey, dos liberais-democratas, comentou que no contexto da guerra na Ucrânia os britânicos deveriam, pelo contrário, lembrar a resistência britânica aos nazis e homenagear figuras como a de Churchill, que conduziu os destinos do país durante a II Guerra Mundial. Disse ainda que o antigo primeiro-ministro «merecia melhor do que ser substituído por um texugo».
«Resolveram trocar o Churchill por bicharada», escreveu na rede social X o economista português Nuno Palma, que vive em Inglaterra e é professor catedrático na Universidade de Manchester. «Onde já vai o politicamente correto no Reino Unido», sublinhou o economista.
As notas da libra esterlina contêm o rosto de monarcas desde 1960, com a rainha Isabel II, e de figuras célebres desde 1970, primeiramente com Shakespeare. Segundo o Banco de Inglaterra, vão passar a exibir «a vida selvagem do Reino Unido, que é rica e variada».
A decisão segue-se a uma consulta pública que decorreu em julho do ano passado, em que 60% dos 44 mil inquiridos se mostraram favoráveis à inclusão de representações da vida selvagem nas notas. Na altura o Banco de Inglaterra apelou a que as escolhas não fossem «fraturantes» e que os temas escolhidos «não envolvessem imagens que discriminem grupos ou sejam consideradas ofensivas pelo cidadão médio».
Nos próximos meses, os britânicos serão novamente chamados a pronunciar-se sobre esta matéria, podendo eleger os animais que devem figurar nas notas, desde que não sejam animais domésticos. As novas versões devem entrar em circulação «dentro de poucos anos».