quarta-feira, 09 set. 2026

Adeus à voz de “Jolene”: Dolly Parton morre aos 80 anos

Dona de uma carreira de mais de seis décadas, deixou clássicos como “Jolene”, “9 to 5” e “I Will Always Love You” e construiu um legado que ultrapassou muito além da música country
Adeus à voz de “Jolene”: Dolly Parton morre aos 80 anos

Dolly Parton morreu aos 80 anos, deixando para trás uma das carreiras mais longas e influentes da música norte-americana. A informação foi avançada através das redes sociais da artista pelo sobrinho.

A cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa tornou-se uma das figuras mais reconhecidas da cultura popular dos Estados Unidos, atravessando gerações com canções que se transformaram em clássicos.

A notícia surge poucos dias depois de Parton ter falado publicamente sobre os problemas de saúde que atravessava. Numa entrevista à People, publicada a 21 de agosto, a artista afirmou que estava a recuperar e que continuava a trabalhar, apesar das dificuldades.

A morte encerra uma história que começou muito longe dos grandes palcos de Nashville.

Da pobreza no Tennessee ao estrelato

Dolly Rebecca Parton nasceu a 19 de janeiro de 1946, em Locust Ridge, no Tennessee, no seio de uma família numerosa e com poucos recursos.

Cresceu numa pequena casa nas Great Smoky Mountains, numa família com 12 filhos. A música esteve presente desde cedo. Ainda criança, Parton já escrevia canções e cantava em programas de rádio e televisão locais.

Aos 13 anos, apresentou-se no Grand Ole Opry, um dos mais importantes palcos da música country norte-americana.

Pouco depois de terminar o ensino secundário, mudou-se para Nashville.

Era o início de uma carreira que viria a transformar completamente a sua vida.

“Jolene” e uma das canções mais reconhecidas de sempre

Dolly Parton tornou-se conhecida inicialmente como compositora e intérprete de música country, mas foi a sua capacidade para escrever canções que acabou por lhe garantir um lugar na história.

Entre os temas que escreveu está “Jolene”, lançado em 1973. A música, construída em torno do pedido desesperado de uma mulher a outra para que não lhe roube o companheiro, tornou-se uma das canções mais conhecidas do repertório de Parton.

Décadas depois, continuaria a ser reinterpretada por artistas de diferentes gerações e estilos.

“I Will Always Love You” ganhou uma segunda vida

Há, no entanto, uma música cuja história acabaria por ultrapassar até a própria Dolly Parton.

“I Will Always Love You” foi escrita pela cantora em 1973, inicialmente como uma despedida profissional ao músico Porter Wagoner, com quem tinha trabalhado durante vários anos.

Em 1992, Whitney Houston gravou uma versão para o filme The Bodyguard.

O resultado foi um fenómeno mundial.

A interpretação de Houston transformou a música num dos maiores êxitos da história da música popular e trouxe uma nova geração de ouvintes para a composição de Parton.

Os últimos anos e os problemas de saúde

A morte acontece depois de um período particularmente difícil na vida pessoal de Parton.

O marido, Carl Thomas Dean, morreu em março de 2025, depois de quase seis décadas de casamento.

Nos últimos meses, a cantora também enfrentou problemas de saúde que a levaram a cancelar ou adiar compromissos profissionais. Terá faltado à inauguração de uma nova atração no Dollywood por recomendação médica, depois de ter sofrido episódios de tonturas e desidratação.

Poucos dias antes da morte, Parton tinha falado novamente sobre o estado de saúde.

"Ainda estou a recuperar, ainda estou a trabalhar", afirmou à People, numa entrevista em que explicou que tinha negligenciado o seu próprio bem-estar e a sua saúde enquanto cuidava do marido.