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Melania Trump decidiu falar ao país no Cross Hall da Casa Branca esta quinta-feira: e a opinião mais comum é que foi apenas para por fim ao assunto "Epstein": mas pode ter tido exatamente o efeito contrário.
A esposa do presidente norte-americano fez uma declaração pública diante das câmeras, exatamente no mesmo sítio onde, na semana passada, Donald Trump falou à nação sobre a guerra no Irão.
"Não sou vítima de Epstein. Epstein não me apresentou a Donald Trump”, começou por afirmar na declaração que iria apenas durar seis minutos. “As mentiras que me ligam ao desonrado Jeffrey Epstein têm de acabar hoje”, acrescentou. No entanto, o que tem levantado mais questões sobre a declaração pública de Melania é que não se conhecem alegações ou especulações recentes sobre a sua ligação a Epstein.
A Primeira Dama continuou a insistir, explicando que nunca foi amiga do condenado por crimes sexuais, mas que ela e o seu então namorado se encontravam com ele "ocasionalmente" em convívios sociais em Nova Iorque e na Flórida.
“Cada mulher deve ter o seu momento para contar a sua história em público, se assim o desejar, e o seu testemunho deve ficar registado permanentemente”, sublinha ainda, contrariando a tese das autoridades (e do seu marido) de que não há interesse público em aprofundar o caso.
A CNN Internacional fala numa imagem de "primeira-dama farta de relatos e especulações que considera falsos". No entanto, sublinha também que o discurso vem numa altura em que o marido passa por um momento de fragilidade política, refletida por declarações e ameaças impulsivas e pouco coordenadas por parte de Donald Trump.
A estranheza da declaração pública
Melania Trump é conhecida por valorizar a privacidade: daí a estranheza de, num momento em que a guerra no Médio Oriente domina a discussão, ter decidido fazer uma decalração explosiva sobre um assunto tão sensível e polémico.
Parte do discurso focou-se em clarificar: referiu uma troca de e-mails que existiu com Ghislaine Maxwell, conhecida companheira e cúmplice do criminoso sexual, onde assinava com "Love, Melania", e recebeu em resposta um tratamento como "sweet pea", expressão usada na língua inglesa para se referir a alguém querido ou amado. No entanto, Melania garante: foi uma "correspondência casual e trivial".
A dúvida
A incerteza permanece: será que a Casa Branca esteve envolvida na intervenção repentina de Melania Trump?
De acordo com informação de uma fonte à CNN Internacional, Trump sabia que a esposa iria falar, apesar de ter afirmado posteriormente que "não sabia nada sobre isso".
Donald trump insiste há meses que o caso Epstein é uma "farsa" criada pelos democratas e que o país deve ultrapassar o caso (mesmo com apenas metade dos ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça). No entanto, a sua esposa parece fazer o contrário: intensificar o assunto com uma mensagem de frustração e preocupação.
A intervenção pública pode ainda colocar-lhe outro problema: os democratas exigem agora que Melania Trump testemunhe perante o Comité sob juramento. "Se quer limpar o seu nome, deve testemunhar perante o comité", exigiu um congressista democrata.
A reação das reais vítimas
Melania Trump foi acusada de desviar as responsabilidades das autoridades. Segundo elas, a declaração pública de quinta-feira coloca pressão sobre as vítimas, e não sobre quem deveria investigar o caso. “Melania Trump está a transferir o peso para os sobreviventes, protegendo os poderosos”, afirmou um grupo ligado ao caso, citado pela CNN Internacional.
Posto isto, o presidente norte-americano enfrenta agora duas crises, contando com a guerra no Médio Oriente, sem uma estratégia clara, pelo contrário, muitas vezes impulsiva, e que, de acordo com especialistas, pode comprometer o seu mandato.