O Papa Leão XIV chegou a Camarões na tarde desta quarta-feira, depois da sua passagem pela Argélia, durante a segunda etapa da viagem apostólica ao continente africano.
A deslocação insere-se numa digressão de dez dias por quatro países — Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial — considerada estratégica para a Igreja Católica, num continente onde o número de fiéis continua a crescer de forma significativa.
A visita do Pontífice a Camarões arrancou com um forte apelo à paz mundial, num discurso marcado por referências diretas aos conflitos armados e às tensões internacionais. O líder da Igreja Católica deixou uma mensagem clara: o mundo vive um momento crítico e precisa urgentemente de abandonar a lógica da guerra.
“O mundo tem sede de paz (…) Chega de guerras”, afirmou, sublinhando o impacto devastador dos conflitos, com “mortos, destruições e exilados”, de acordo com o Vaticano News.
O Papa defendeu, ainda, que a paz não pode ser apenas um conceito abstrato ou um slogan político, mas deve traduzir-se em ações concretas, tanto a nível individual como institucional.
"A paz não se decreta: acolhe-se e vive-se.” afirma.
Para além da condenação da guerra, abordou temas como a corrupção, desigualdades sociais e responsabilidade política. Referiu que o exercício do poder deve estar orientado para o bem comum, defendendo uma governação baseada na justiça, na inclusão e no serviço à população.
Num país marcado por tensões internas, o pontífice apelou ainda a reformas que promovam a estabilidade e a reconciliação nacional, defendendo a necessidade de “romper as correntes da corrupção” e combater a pobreza.
A escolha de Camarões como etapa central da visita não é inocente. O país enfrenta, desde 2017, um conflito nas regiões anglófonas, que já provocou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.
Neste contexto, a presença do Papa assume uma dimensão simbólica e política relevante, sendo vista como um incentivo ao diálogo e à resolução pacífica dos conflitos.