segunda-feira, 07 set. 2026

"A minha irmã está a morrer, pelo amor de Deus": empresária morre após seis procedimentos estéticos no Brasil

A vítima, uma mulher de 51 anos, morreu depois de uma cirurgia que durou mais de oito horas. A família diz que a empresária apresentou dificuldades respiratórias após a operação e questiona as condições do hospital. O Ministério Público já pediu abertura de inquérito.
"A minha irmã está a morrer, pelo amor de Deus": empresária morre após seis procedimentos estéticos no Brasil

Uma empresária brasileira de 51 anos morreu depois de ser submetida a seis procedimentos estéticos no rosto e no pescoço, num hospital de Goiânia, no estado brasileiro de Goiás.

A vítima, identificada pelo G1 como Andreia Vieira Gaspar, vivia em Espanha há cerca de cinco anos e viajou para o Brasil para realizar a intervenção, que terá custado 118 mil reais, (cerca de 18 mil euros). A cirurgia decorreu a 11 de agosto e prolongou-se por mais de oito horas.

A mulher morreu na madrugada do dia seguinte, depois de apresentar complicações graves no período de pós-operatório. O caso está a ser investigado pelas autoridades brasileiras e o Ministério Público de Goiás pediu a abertura de um inquérito policial.

Seis procedimentos realizados na mesma cirurgia

Segundo informações recolhidas pela TV Anhanguera e divulgadas pelo G1, Andreia foi submetida a seis procedimentos: uma ritidoplastia profunda (cirurgia de rejuvenescimento facial), frontoplastia com redução da testa, mentoplastia óssea (reposicionamento do queixo), blefaroplastia superior (remoção de excesso de pele e gordura das pálpebras), lipoaspiração no pescoço e lipoenxertia na face.

A intervenção terá envolvido o reposicionamento de tecidos e músculos, alterações na linha do cabelo e no queixo, além da remoção de excesso de pele e de bolsas de gordura das pálpebras.

Família questiona acompanhamento após a cirurgia

É no período imediatamente posterior à operação que se concentram algumas das principais dúvidas levantadas pela família.

Segundo o relato da irmã, Andreia regressou ao quarto com um inchaço significativo na língua, e ao longo da noite, terá começado a queixar-se de falta de ar.

A família afirma que procurou ajuda junto da equipa que acompanhava a paciente e que as queixas não terão recebido a resposta necessária. Estas alegações são um ponto central da denúncia apresentada às autoridades.

A família questiona também o facto de o hospital onde a cirurgia foi realizada não dispor de uma unidade de cuidados intensivos (UCI).

Exames feitos em Espanha também estão a ser analisados

Outro dos pontos levantados pela família prende-se com os exames realizados antes da cirurgia.

De acordo com a representação entregue ao Ministério Público, exames feitos em Espanha terão revelado anticorpos IgM reagentes para Borrelia burgdorferi e Brucella (bactéria responsável pela Doença de Lyme), resultados compatíveis com um processo infeccioso ou inflamatório ativo ou recente.

Os resultados terão sido enviados à equipa médica antes da deslocação de Andreia ao Brasil.

A família questiona se essas alterações foram devidamente avaliadas antes da realização da cirurgia.

Empresária morreu na madrugada seguinte

Depois de apresentar sinais de agravamento, Andreia sofreu uma paragem cardiorrespiratória durante a madrugada de 12 de agosto. Segundo o G1, a irmã chegou a pedir ajuda através de uma mensagem enviada para um grupo de WhatsApp da clínica: "A minha irmã está a morrer. Pelo amor de Deus."

A morte foi declarada pelas 04h15.

O corpo foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbitos de Goiânia, onde foi realizada uma necrópsia. Segundo os dados divulgados pela família e citados pela imprensa brasileira, o exame apontou trombose coronariana aguda, enfartes pulmonares e secreção hemorrágica nas vias respiratórias.

Estes resultados deverão ser analisados no âmbito da investigação.

Ministério Público pediu investigação

O Ministério Público de Goiás pediu, na passada quinta-feira, a abertura de um inquérito policial para investigar a morte da empresária, incluindo a possibilidade de homicídio por negligência, segundo a imprensa brasileira.