Relacionados
Uma empresária brasileira de 51 anos morreu depois de ser submetida a seis procedimentos estéticos no rosto e no pescoço, num hospital de Goiânia, no estado brasileiro de Goiás.
A vítima, identificada pelo G1 como Andreia Vieira Gaspar, vivia em Espanha há cerca de cinco anos e viajou para o Brasil para realizar a intervenção, que terá custado 118 mil reais, (cerca de 18 mil euros). A cirurgia decorreu a 11 de agosto e prolongou-se por mais de oito horas.
A mulher morreu na madrugada do dia seguinte, depois de apresentar complicações graves no período de pós-operatório. O caso está a ser investigado pelas autoridades brasileiras e o Ministério Público de Goiás pediu a abertura de um inquérito policial.
Seis procedimentos realizados na mesma cirurgia
Segundo informações recolhidas pela TV Anhanguera e divulgadas pelo G1, Andreia foi submetida a seis procedimentos: uma ritidoplastia profunda (cirurgia de rejuvenescimento facial), frontoplastia com redução da testa, mentoplastia óssea (reposicionamento do queixo), blefaroplastia superior (remoção de excesso de pele e gordura das pálpebras), lipoaspiração no pescoço e lipoenxertia na face.
A intervenção terá envolvido o reposicionamento de tecidos e músculos, alterações na linha do cabelo e no queixo, além da remoção de excesso de pele e de bolsas de gordura das pálpebras.
Família questiona acompanhamento após a cirurgia
É no período imediatamente posterior à operação que se concentram algumas das principais dúvidas levantadas pela família.
Segundo o relato da irmã, Andreia regressou ao quarto com um inchaço significativo na língua, e ao longo da noite, terá começado a queixar-se de falta de ar.
A família afirma que procurou ajuda junto da equipa que acompanhava a paciente e que as queixas não terão recebido a resposta necessária. Estas alegações são um ponto central da denúncia apresentada às autoridades.
A família questiona também o facto de o hospital onde a cirurgia foi realizada não dispor de uma unidade de cuidados intensivos (UCI).
Exames feitos em Espanha também estão a ser analisados
Outro dos pontos levantados pela família prende-se com os exames realizados antes da cirurgia.
De acordo com a representação entregue ao Ministério Público, exames feitos em Espanha terão revelado anticorpos IgM reagentes para Borrelia burgdorferi e Brucella (bactéria responsável pela Doença de Lyme), resultados compatíveis com um processo infeccioso ou inflamatório ativo ou recente.
Os resultados terão sido enviados à equipa médica antes da deslocação de Andreia ao Brasil.
A família questiona se essas alterações foram devidamente avaliadas antes da realização da cirurgia.
Empresária morreu na madrugada seguinte
Depois de apresentar sinais de agravamento, Andreia sofreu uma paragem cardiorrespiratória durante a madrugada de 12 de agosto. Segundo o G1, a irmã chegou a pedir ajuda através de uma mensagem enviada para um grupo de WhatsApp da clínica: "A minha irmã está a morrer. Pelo amor de Deus."
A morte foi declarada pelas 04h15.
O corpo foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbitos de Goiânia, onde foi realizada uma necrópsia. Segundo os dados divulgados pela família e citados pela imprensa brasileira, o exame apontou trombose coronariana aguda, enfartes pulmonares e secreção hemorrágica nas vias respiratórias.
Estes resultados deverão ser analisados no âmbito da investigação.
Ministério Público pediu investigação
O Ministério Público de Goiás pediu, na passada quinta-feira, a abertura de um inquérito policial para investigar a morte da empresária, incluindo a possibilidade de homicídio por negligência, segundo a imprensa brasileira.