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Ao contrário do que se esperava, o Kremlin afirmou esta terça-feira estar satisfeito com a vitória de Péter Magyar na Hungria, explicando que será "esperar para ver" após a derrota do seu maior aliado na Europa, Viktor Orbán.
"Para já, podemos constatar com satisfação, tanto quanto sabemos, a sua [de Magyar] disponibilidade para um diálogo pragmático", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pelo jornal The Guardian, e acrescenta: "Neste caso, existe vontade mútua da nossa parte, e iremos depois orientar-nos pelos passos concretos dados pelo novo governo húngaro".
No entanto, no dia da vitória do novo primeiro-ministro húngaro, que, no seu discurso, sublinhou o "destronar" de Orbán, Moscovo não felicitou Magyar: pelo contrário, garantiram que a Hungria já não "goza mais de nenhum status especial", passando a fazer parte dos "países hostis" da Europa.
De acordo com o mesmo jornal britânico, Moscovo deverá ter sentido "obrigação" em felicitar Magyar, já que a derrota de Orbán foi histórica.
"A Hungria fez sua escolha. Respeitamos essa escolha", afirmou ainda Peskov, antes de acrescentar: "Nunca fomos amigos de Orbán", sublinhando o afastamento do antigo primeiro-ministro.
Do lado de Péter Magyar, garante arranjar uma solução para as importações de energia. "Não podemos mudar a geografia", afirmou. "Se Vladimir Putin ligar, eu atendo. Se conversássemos, eu poderia dizer-lhe que seria bom acabar com os assassinatos depois de quatro anos e acabar com a guerra", acrescentou.
Desde o início da invasão russa na Ucrânia, em 2022, que a Hungria tem o único país europeu aliado da Rússia, opondo-se sempre às propostas da Europa que sancionassem Moscovo.