quinta-feira, 11 jun. 2026

"A humanidade jamais deve ser substituída ou superada." Leão XIV coloca inteligência artificial no centro da sua primeira encíclica

O líder da Igreja Católica lançou um forte apelo para que o desenvolvimento tecnológico não ultrapasse os limites da dignidade humana.
"A humanidade jamais deve ser substituída ou superada." Leão XIV coloca inteligência artificial no centro da sua primeira encíclica

A inteligência artificial (IA) foi colocada no centro de uma das primeiras grandes intervenções do Papa Leão XIV. Na sua primeira encíclica, designada Magnifica Humanitas, o líder da Igreja Católica lançou um forte apelo para que o desenvolvimento tecnológico não ultrapasse os limites da dignidade humana, alertando para os riscos de concentração de poder, exclusão social e perda de controlo sobre decisões fundamentais.

O documento, divulgado pelo Vaticano, é sobre como salvaguardar "a pessoa humana na era da inteligência artificial.", segundo a BBC, e tem 105 páginas. Surge como uma reflexão sobre os impactos da IA na sociedade e é já considerado um dos textos mais marcantes do início do pontificado. Leão XIV defende que a tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário.

"A humanidade jamais deve ser substituída ou superada.", afirma Papa Leão XIV.

Na encíclica apresenta a IA como um dos grandes desafios éticos do século XXI, sublinhando que o progresso tecnológico deve ser acompanhado por responsabilidade moral e por mecanismos de proteção da dignidade humana. Alerta, ainda, para o risco de concentração de poder nas mãos de grandes empresas tecnológicas e para a possibilidade de a tecnologia acentuar desigualdades sociais já existentes.

No âmbito da guerra, o líder da Igreja Católica afirma que "A inteligência artificial não remove a desumanidade intrínseca do conflito, pelo contrário, pode apenas acelerar os conflitos e torná-los mais impessoais, reduzindo o limiar para o recurso à violência, transformando a defesa em previsão de ameaças e reduzindo as vítimas a dados."

No campo do trabalho, manifesta preocupação com a substituição progressiva de funções humanas por sistemas automatizados, alertando para possíveis consequências sociais profundas. Segundo o Vaticano, a tecnologia deve ser um instrumento de progresso coletivo, e não um fator de exclusão ou de desumanização das relações laborais.