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O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, publicou uma carta aberta dirigira ao presidente russo, Vladimir Putin, onde o convida para uma reunião frente a frente com vista ao fim da guerra - e Putin parece disponível.
A carta aberta, publicada no site oficial da presidência ucraniana, começa por se dirigir ao "Presidente da Federação Russa". "Quando liderou a Rússia há mais de 26 anos, muitos na Ucrânia tinham uma atitude positiva em relação a si. E foi mesmo. Isso já é passado", começa por escrever Zelensky. "Agora, a grande maioria dos ucranianos interpreta positivamente o facto de que os nossos drones de longo alcance visitaram a abertura do seu fórum em São Petersburgo, tendo percorrido uma distância de mais de 1000 quilómetros", indica, deixando uma viso: "Como você bem sabe, essa distância não é o limite das nossas capacidades".
Zelensky continua a carta, afirmando que esta guerra é uma "escolha pessoal", sem um motivo, e que é assim que "a história se vai lembrar". "Muitos não acreditavam que a Ucrânia duraria tanto tempo na defesa. Você não acreditava. E aqueles que te aconselharam não acreditaram em nenhum dos dois. Isso foi um erro", recorda.
O presidente ucraniano relembra uma viragem na interpretação dos russos, acusando Putin de "comprar a lealdade" do seu povo. "Eles não gostam que não haja fim à vista para a sua guerra", reitera.
Antes de chegar à proposta de reunião, Zelensky indica ainda que um relatório sobre a perda russa na guerra no mês de maio revela que mais de 30 mil soldados russos foram mortos. "Não que nós, na Ucrânia, nos preocupemos com os russos. Depois de tudo que a sua guerra trouxe para a Ucrânia. Mas eu importo-me com os ucranianos", escreve, antes de acrescentar: "Mas nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente. Sabemos muito bem que é imensamente melhor sem guerra. Queremos alcançar isso".
"A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe acabar com essa guerra. Deve ser feito com honestidade, dignidade e para garantir que não haja novas incitações à guerra", propõe Zelensky, que afirma não poder esperar pelos Estados Unidos, que "estão a dar toda a sua atenção à questão do Irão". "A Ucrânia propõe acabar com a guerra no formato entre nós e vocês. Ofereço uma reunião", diz finalmente.
Após enumerar acordos entre os dois países que não funcionaram, o presidente ucraniano sublinha as bases que devem constar no acordo de paz: "A Ucrânia está pronta para uma troca de prisioneiros de guerra com base no princípio de "todos por todos", e isso pode ser um bom prólogo até o fim da guerra. Medidas sérias devem ser tomadas para devolver civis e crianças que foram retirados durante a guerra. É necessário determinar como será o futuro para todas as futuras gerações de ucranianos e russos".
Ainda assim, Zelensky garante que, enquanto a guerra não acabar, Kiev continuará a defender-se.
Putin e o acordo de paz
O presidente russo, Vladimir Putin, não excluiu a hipótese de um acordo de paz. Durante o Fórum Económico Internacional em São Petersburgo, Putin sublinhou que, havendo vontade diplomática de ambos os lados, poderá ser possível chegar finalmente a uma solução.
Em relação à carta aberta, o Kremlin informou que o líder russo já a leu, mas recusa revelar a reação.
A reação de Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos não ficou indiferente à proposta de Zelensky, afirmando que seria um encontro positivo entre os dois presidentes, referindo até que já os tinha incentivado. Desta forma, sublinha a importância de um compromisso de ambas as partes.