A atuação de Bad Bunny no Super Bowl: todos os pormenores que pode não ter reparado

Já deve ter ouvido falar da atuação de Bad Bunny no último domingo, já que as redes sociais estão inundadas de vídeos e fotografias do cantor. A polémica foi muita, a energia mais ainda - mas há pormenores que provavelmente lhe escaparam.

Bad Bunny foi o protagonista do intervalo mais conhecido e esperado do mundo: o halftime show do Super Bowl. Muito se dançou naquele relvado, o presidente norte-americano ficou até afrontado com a performance, mas não deixa de ser o assunto mais falado desta segunda-feira. A atuação do porto-riquenho teve a energia latina já característica - mas há pormenores que provavelmente lhe escaparam.

O início com trabalho nos campos

A atuação começa com o cantor a percorrer campos agrícolas, com vários dançarinos disfarçados de trabalhadores ao som de "Tití me Preguntó". Esta é uma metáfora para as raízes agrícolas características de Porto Rico e uma homenagem às gerações que moldaram a história da ilha.

Além disso, há um pormenor que tem sido amplamente explorado nas redes sociais e já usado para memes nesta segunda-feira: as plantas que vemos a rodear o cantor enquanto este inicia a atuação são... pessoas vestidas de planta.

"Ocasio 64"

Muitos esperam que as celebridades usem marcas de luxo - mas o statement de Bad Bunny na noite de domingo era outro: trazer de volta a moda acessível. Para isso, escolheu um look da Zara em parceria com os dois estilistas do cantor porto-riquenho, Storm Pablo e Marvin Douglas Linares.

Em relação ao que trazia escrito na camisola, muito se especula: Ocasio é o seu apelido, mas também pode ser uma referência à sua mãe e ao ano em que nasceu (Lysaurie Ocasio, nascida em 1964).

O palco virou um "bairro latino"

Mais uma vez, Bad Bunny decidiu recriar as suas raízes latinas e aquilo de que é feito o dia dos porto-riquenhos: convivíos sociais nos seus bairros, com muita salsa no corpo.

"El Apagón" e os postes de eletricidade

A música "El Apagón" foi cantada em cima de um poste de eletricidade que, aparentemente, se apaga, com faíscas em representação. Os bailarinos também estão a dançar em cima dos mesmos postes.

A ideia provoca uma sensação de emersão na letra da música que, mais uma vez, fala de Porto Rico e de como o cantor não trocaria a ilha por nada - mesmo com todos os desafios que tem de atravessar.

O espanhol num dos maiores palcos do mundo

O espanhol é predominante nas suas músicas e Bad Bunny não o evitou na performance. Grande parte dos excertos que cantou foram apenas em espanhol, o que gerou uma onda de aclamação, mas também de críticas. Muitos aplaudiram o cantor por mostrar que "a língua não é uma barreira"; outros disseram que "não perceberam nada", mas que se divertiram de qualquer forma. Já Donald Trump não percebeu e não se divertiu porque, segundo ele, "foi a pior atuação do Super Bowl" - no entanto, foi a mais vista de sempre.

O casamento foi... real

A meio da performance há um casal que protagoniza um aparente casamento - exceto que este foi mesmo o casamento deles. Ao que tudo indica, o casal teria convidado Bad Bunny para o seu casamento original, e o cantor acabou por os convidar para o fazerem na atuação de domingo.

As participações especiais que todos os fãs ansiavam

Ricky Martin e Lady Gaga marcaram presença no halftime show e não descuraram do cenário típico. Ricky Martin, também porto-riquenho, apareceu no cenário do álbum mais recente de Bad Bunny "DeBÍ TiRAR MáS FOToS" - as típicas cadeiras de plástico num fundo de palmeiras - para cantar uma versão da música de Bad Bunny “Lo Que Pasó a Hawaii”.

Já Lady gaga interpretou uma "versão salsa" da música "Die with a Smile", uma colaboração com Bruno Mars, tendo depois dançado com o próprio Bad Bunny e várias crianças que subiram ao palco.

A roupa como mensagem

Nenhum bailarino que fez parte do "convivío social" que Bad Bunny recriou em palco ia com roupa igual a outro. Todos diferentes, com roupa descontraída, pouco glamorosa, típica da energia que Bad Bunny pretendia passar. A ideia era simples: não é preciso luxo para nos sentirmos poderosos.

A entrega do Grammy

Há ainda um momento que está a marcar as redes sociais nesta segunda-feira: a entrega do Grammy a um menino que estava a ver a cerimónia numa televisão com a sua família.

Muitas são as teorias: uns dizem que o menino podia simbolizar Liam Conejo Ramos, o menino de cinco anos que foi detido por agentes do Serviço de Imigração juntamente com o seu pai; outros dizem que simboliza Bad Bunny quando era criança.

"God Bless America" - Together We Are America

Já no final da atuação, Bad Bunny agarra uma bola de futebol americano que trazia já no início e mostra que esta tem inscrita a frase "Together We Are America".

Começa ainda por dizer "God Bless America" e termina enumerando todos os países do norte, centro e sul da América, sublinhando que a América não são apenas os Estados Unidos, numa crítica às políticas severas de imigração de Donald Trump. Este é um tema com o qual o porto-riquenho se tem debatido, inclusive na cerimónia dos Grammy Awards, onde fez questão de usar o seu discurso de vencedor de "Melhor Álbum do Ano" para sublinhar a sua posição: "Antes de agradecer a Deus, eu vou dizer, ICE fora. Nós não somos selvagens, não somos animais, somos humanos e somos americanos."

A mensagem no ecrã

À medida que a atuação chegava ao fim, junto com os fogos de artíficio, surge uma mensagem no ecrã: "The only thing more powerful than hate is love" ("a única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor", em português). Esta frase já tinha sido dita pelo próprio Bad Bunny na cerimónia dos Grammy Awards, provavelmente já em referência a este momento, e para enfatizar a mensagem que quis passar nos dois momentos: a de união entre as várias comunidades.

A atuação acabou com uma das músicas mais conhecidas do cantor, "DeBÍ TiRAR MáS FOToS", e com este a festejar com todos os que o acompanharam naqueles 13 minutos em palco.

Com mais um dos intervalos mais conhecidos do mundo, Bad Bunny vem mostrar que o halftime show pode ser mais do que música e publicidade, e que o seu impacto não se centra apenas na América, alcançando a escala global.