quinta-feira, 16 abr. 2026

37.º dia de guerra no Médio Oriente: ataque israelita mata membro da Guarda Revolucionária e um acordo de paz está ainda longe

Os ataques continuam e não há esperança de que o cessar-fogo esteja à vista. É o 37º. dia de conflito.
37.º dia de guerra no Médio Oriente: ataque israelita mata membro da Guarda Revolucionária e um acordo de paz está ainda longe

Ao 37.º dia de guerra no Médio Oriente, o conflito mantém-se aceso e sem fim à vista (apesar das previsões do presidente norte-americano Donald Trump).

Cessar-fogo? Há um plano, mas não há previsão de que seja para breve

O Irão e os Estados Unidos receberam um plano do Paquistão para o fim da guerra em duas etapas, que deveria entrar em vigor esta segunda-feira, de acordo com a Reuters. No entanto, não há resposta oficial de nenhum dos países.

O plano propõe duas etapas: um cessar-fogo imediato, com a reabertura do Estreito de Ormuz seguido de um acordo para acabar com o conflito num prazo de 15 a 20 dias. Segundo fonte familiarizada com o plano, citada pela Reuters, os detalhes do acordo seriam finalizados esta segunda-feira.

O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, terá estado em contacto “a noite toda” com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial, Steve Witkoff, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi.

Apesar de ainda não existir uma resposta oficial ao acordo enviado pelo Paquistão, o Irão garante que não irá reabrir o estreito de Ormuz em troca de um "cessar-fogo temporário". De acordo com a Al Jazeera, um alto funcionário do regime explicou que não estão convencidos de que os Estados Unidos estão a "preparar um cessar-fogo permanente", não podendo ceder às condições de um cessar-fogo temporário.

Afirmou ainda que o Irão recebeu o plano do Paquistão, mas que não admitem prazos temporais para tomar uma decisão.

No mesmo sentido, o Irão e um grupo de mediadores estarão a discutir as condições para um possível cessar-fogo de 45 dias.

De acordo com o jornal Axios, este esforço é "a única hipótese de evitar uma escalada na guerra", com ataques a infraestruturas civis e de energia nos países do Golfo. A informação vem de quatro fontes norte-americanas, israelitas e regionais familiarizadas com as negociações, que informam ainda que o acordo é pouco provável de ser alcançado.

As negociações estão a ser mediadas pelo Paquistão, Egipto e Turquia.

Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o homólogo russo, Serguei Lavrov, defendem um "cessar-fogo imediato" no Médio Oriente.

Ambos mantiveram uma chamada telefónica este domingo, onde Wang defende que “a China sempre defendeu a resolução política de questões internacionais e regionais críticas através do diálogo e da negociação”, de acordo com a agência Lusa.

Já Lavrov disse que “a Rússia está extremamente preocupada com a contínua escalada da situação no Médio Oriente”, exigindo que as operações militares cessem e se "regresse à via política e diplomática".

Os últimos ataques

O Chefe dos Serviços Secretos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão morreu na sequência de um ataque israelita, de acordo com a imprensa estatal de Teerão, citada pela agência Reuters.

Durante a noite, terão morrido 34 pessoas em ataques dos Estados Unidos e Israel, de acordo com a Al Jazeera. No Irão, terão morrido 23, incluindo seis crianças. Foi ainda atingida uma universidade de Tecnologia Sharif, sendo esta a quarta universidade atingida por ataques dos EUA e Israel desde o dia 28 de fevereiro.

Durante a noite, ataques israelitas terão destruído pistas e torres de controlo de três aeroportos no Irão, usados pela Força Quds, a força de operações especiais da Guarda Revolucionária. Neste ataque, foi também atingida uma fábrica da Força Quds para fabricar drones.

Já no Líbano, um ataque israelita a um carro que circulava na cidade de Kfar Rumman fez quatro mortos, de acordo com a Al Jazeera, que cita a Defesa Civil do país.

No Kuwait, seis pessoas ficaram feridas após míssil iraniano ter sido intercetado, de acordo com o Ministério da Saúde do país, citado pela agência Reuters.

Ainda durante a noite, o Irão também intensificou os seus ataques, causando dois mortos e vários feridos em Israel. Segundo o Haaretz, um míssil terá atingido um prédio de seis andares em Haifa.

Há ainda dois desaparecidos, que se acredita estarem debaixo dos escombros do prédio, que desabou parcialmente. Do ataque resultaram onze feridos.

Já no centro de Israel, cinco pessoas ficaram feridas, incluindo uma mulher de 32 anos gravemente ferida, após um ataque com munições de fragmentação iranianas.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, veio responder às ameaças de Donald Trump, afirmando que atacar centrais de energia e pontes são "crimes de guerra". "O Presidente dos Estados Unidos, na qualidade de mais alto responsável do seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra — ato que acarreta a sua responsabilidade criminal individual perante o Tribunal Penal Internacional e qualquer tribunal nacional competente", escreveu na rede social X, onde enumerou vários artigos que sustentam a sua tese.

"A República Islâmica do Irão, nos termos do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, dará uma resposta decisiva, imediata e que provoque arrependimento perante qualquer agressão ou ameaça iminente", garantiu ainda. O Artigo 51 da Carta das Nações Unidas reconhece o direito inerente à legítima defesa caso ocorra um ataque armado contra um membro da ONU.

O responsável iraniano aconselhou ainda a que Donald Trump "desista de continuar com estas ameaças", ameaçando com um rasto de consequências "que não se limitarão apenas ao Irão".