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O Japão deu mais um passo no relançamento da energia nuclear ao reativar um dos reatores da central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo em termos de capacidade instalada. A operação foi realizada esta terça-feira pela Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO), a mesma empresa que operava a central de Fukushima, palco do maior acidente nuclear do país em 2011, que obrigou 150 mil pessoas a abandonar as suas casas.
Em causa está o reator número 6, um dos dois que receberam luz verde das autoridades reguladoras para regressar ao ativo. A reativação estava inicialmente prevista para o dia anterior, mas acabou por ser adiada devido a um alarme defeituoso, que não foi acionado durante um teste de segurança.
Os reatores 6 e 7 tinham sido submetidos a inspeções com vista à reativação ainda em 2017, mas o processo ficou suspenso após a deteção de falhas nas medidas de segurança contra ataques terroristas, o que levou à interdição temporária da central.
Com uma capacidade superior a 8.000 megawatts, a reativação da central de Kashiwazaki-Kariwa está alinhada com a estratégia do Governo japonês, liderado por Sanae Takaichi, que aposta no reforço da energia nuclear para cumprir as metas de redução das emissões de carbono e garantir a segurança energética do país.
O retomar das operações ocorre, no entanto, num contexto de crescentes preocupações com a segurança nuclear noutras instalações do país: a central de Hamaoka, operada pela Chubu Electric Power e localizada a sudoeste de Tóquio, está sob escrutínio depois de surgirem suspeitas de que a empresa terá apresentado dados incorretos sobre a resistência da infraestrutura a sismos.
Na semana passada, a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão (NRA) decidiu suspender a análise do pedido para a reativação dessa central, que se encontra encerrada desde 2011 e é considerada uma das instalações nucleares potencialmente mais perigosas do mundo, devido à sua localização na interseção de quatro grandes placas tectónicas.