Prejuízos da Metro do Porto sobem para 26,5 milhões em 2025 apesar do aumento de passageiros

A Metro do Porto quase duplicou os prejuízos em 2025, atingindo 26,5 milhões de euros, apesar do crescimento do número de validações e do aumento da receita operacional
Prejuízos da Metro do Porto sobem para 26,5 milhões em 2025 apesar do aumento de passageiros

A Metro do Porto registou prejuízos de 26,5 milhões de euros em 2025, quase o dobro dos 13,4 milhões contabilizados no ano anterior, segundo o Relatório e Contas divulgado pela empresa.

Apesar do agravamento do resultado líquido, a transportadora sublinha que 2025 foi ainda assim o segundo melhor ano financeiro da última década, depois de sucessivos prejuízos elevados registados nos últimos anos.

Em 2023, a empresa tinha apresentado perdas de 45,5 milhões de euros, valor que tinha descido para 13,4 milhões em 2024.

Os resultados agora divulgados apontam para um aumento significativo dos encargos operacionais, sobretudo relacionados com o contrato de subconcessão com a ViaPorto, responsável pela operação do metro.

Segundo a Metro do Porto, os custos associados a este contrato — prolongado até março de 2027 — cresceram 43,4%, o equivalente a mais 18,09 milhões de euros em gastos.

Receitas aumentam, mas custos sobem mais

A receita de exploração da empresa aumentou 4,9%, passando de 79,5 milhões de euros em 2024 para 83,4 milhões em 2025.

No entanto, o custo da operação registou um crescimento muito mais expressivo, de 29,8%, subindo de 47,8 milhões para 62,1 milhões de euros.

A taxa de cobertura global também caiu de forma significativa, passando de 140,3% para 116,2%.

No total, a empresa registou rendimentos de 84,8 milhões de euros e gastos de 73,1 milhões.

Linhas Rosa e Rubi concentram investimento

No capítulo do investimento, a Metro do Porto aplicou mais de 194 milhões de euros em 2025, valor ligeiramente inferior ao do ano anterior.

A maior parte deste investimento esteve concentrada nos projetos de expansão da rede, nomeadamente nas futuras linhas Rosa e Rubi.

Segundo a empresa liderada por Emídio Gomes, estas duas linhas representaram cerca de 87% do investimento total realizado em 2025.

A Linha Rosa absorveu 94,1 milhões de euros, enquanto a Linha Rubi representou 75 milhões.

Mais passageiros e impacto dos passes gratuitos

Apesar dos prejuízos, os indicadores operacionais revelam crescimento da procura.

A Metro do Porto registou 94,54 milhões de validações em 2025, mais 5,3% do que no ano anterior.

A empresa atribui esta subida, em parte, ao prolongamento da Linha Amarela até Vila d’Este, inaugurado em junho de 2024, e também à política tarifária aplicada aos jovens.

O maior crescimento verificou-se precisamente nos passes jovens, com destaque para o tarifário sub23, que aumentou 38%.

A transportadora recorda que, desde dezembro de 2024, a gratuitidade dos passes deixou de estar limitada apenas aos estudantes até aos 23 anos, passando a abranger todos os jovens dessa faixa etária, independentemente da situação escolar.

Em sentido contrário, o número de validações associadas ao tarifário normal caiu 3,6%, enquanto os passes destinados à terceira idade registaram um aumento de cerca de 510 mil validações.