terça-feira, 21 jul. 2026

Padrasto de crianças francesas abandonadas em Alcácer do Sal só será entregue a França após processo em Portugal

O Tribunal da Relação de Évora decidiu que o padrasto dos dois irmãos franceses encontrados abandonados em Alcácer do Sal apenas será entregue às autoridades francesas quando deixar de estar em prisão preventiva no âmbito do processo que corre em Portugal.

O Tribunal da Relação de Évora (TRE) determinou esta quinta-feira que o padrasto dos dois irmãos franceses encontrados abandonados na zona de Alcácer do Sal apenas será entregue às autoridades francesas quando deixar de interessar à justiça portuguesa a medida de prisão preventiva a que está sujeito.

Segundo um comunicado divulgado pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM), o cidadão francês, de 55 anos, foi presente ao Tribunal da Relação de Évora no âmbito de um Mandado de Detenção Europeu (MDE) emitido pelas autoridades judiciais francesas.

Durante a audição, o homem manifestou a sua concordância em ser entregue a França.

Contudo, o tribunal decidiu homologar essa aceitação, estabelecendo que a entrega apenas será concretizada quando deixar de ser necessária a sua permanência em prisão preventiva no âmbito do processo que corre no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal.

O Tribunal da Relação esclareceu ainda que, "face aos contornos do caso", a execução do Mandado de Detenção Europeu ficará limitada aos factos que não tenham sido praticados em território português, sem revelar quais os crimes que motivaram a emissão do mandado pelas autoridades francesas.

Crianças foram encontradas sozinhas junto a estrada

O caso remonta a 19 de maio, quando dois irmãos franceses, de 4 e 5 anos, foram encontrados a vaguear sozinhos junto à Estrada Nacional 253, na zona de Monte Novo do Sul, entre Comporta e Alcácer do Sal.

As crianças transportavam apenas uma mochila com uma muda de roupa, fruta e uma garrafa de água.

Segundo foi noticiado na altura, os menores terão contado que a mãe lhes vendeu os olhos, dizendo que iam participar num jogo, antes de os abandonar no local e seguir viagem de automóvel com o companheiro.

Os dois suspeitos — a mãe, de 41 anos, e o padrasto, de 55 — foram detidos pela GNR dois dias depois, a 21 de maio, quando se encontravam na esplanada de um café nas imediações de Fátima, no concelho de Ourém.

Mãe e padrasto continuam em prisão preventiva

No dia seguinte às detenções, o juiz presidente do Tribunal Judicial de Setúbal, António José Fialho, esclareceu que os menores residiam habitualmente com a mãe em França, estando os pais separados. O pai biológico dispõe apenas de um direito de visita limitado e supervisionado.

A mãe e o padrasto encontram-se indiciados pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada e de exposição e abandono, permanecendo ambos em prisão preventiva.

As duas crianças regressaram a França no dia 29 de maio, numa operação coordenada entre as autoridades portuguesas e francesas, tendo ficado entregues aos serviços de apoio social de Colmar.