OMS alerta para mais de 900 casos suspeitos ou confirmados de Ébola na RDCongo

A Organização Mundial da Saúde alertou para mais de 900 casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo. Violência armada e deslocações populacionais estão a dificultar o combate ao surto
OMS alerta para mais de 900 casos suspeitos ou confirmados de Ébola na RDCongo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira para o agravamento do surto de Ébola na República Democrática do Congo, onde já foram registados mais de 900 casos suspeitos ou confirmados da doença, incluindo 101 infeções confirmadas em laboratório.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as enormes dificuldades enfrentadas pelas equipas de saúde no terreno, sobretudo na província de Ituri, no nordeste do país, considerada o epicentro da epidemia.

“A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infeções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou o responsável.

Segundo dados divulgados no sábado pelo Governo congolês, já foram registadas 204 “mortes prováveis” associadas ao atual surto.

A situação preocupa também os países vizinhos. A agência de saúde pública africana Africa CDC alertou que Angola está entre os dez países africanos com maior risco de serem afetados pelo vírus, juntamente com a RDCongo e o Uganda.

O leste da RDCongo vive há vários anos uma grave crise humanitária marcada por conflitos armados e pela presença de dezenas de grupos rebeldes. Entre eles encontra-se o Movimento 23 de Março, alegadamente apoiado pelo Ruanda, que controla várias áreas da região.

Embora o Governo congolês mantenha o controlo formal da província de Ituri, a OMS considera que a situação de segurança continua extremamente frágil, dificultando o acesso das equipas médicas às populações afetadas.

A atual epidemia resulta da estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existe vacina aprovada. Segundo a OMS, a taxa de mortalidade desta variante varia entre 30% e 50%.

O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode provocar febre hemorrágica grave, dores musculares, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Apesar da elevada taxa de mortalidade, os especialistas recordam que o Ébola é menos contagioso do que doenças como a covid-19 ou o sarampo. Sem vacina ou tratamento específico para esta estirpe, as autoridades sanitárias apostam sobretudo na deteção precoce dos casos, no rastreio de contactos e no reforço das medidas de prevenção sanitária.