O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa, que deverá agora avançar 1,9% este ano, menos 0,2 pontos percentuais do que o previsto anteriormente.
A nova projeção, divulgada na atualização do World Economic Outlook, fica também abaixo da previsão do Governo, que aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% em 2026.
Para 2027, o FMI estima que a economia portuguesa cresça 1,8%, mantendo a trajetória de moderação do ritmo económico nos próximos anos.
No plano global, a instituição alerta que as perspetivas económicas seriam mais favoráveis não fosse o impacto do conflito no Médio Oriente, que está a pressionar o crescimento e a aumentar a incerteza nos mercados internacionais.
O FMI prevê agora que o crescimento mundial desacelere para 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, abaixo do ritmo observado em 2024-2025, quando a economia global crescia cerca de 3,4%.
Na zona euro, as previsões também foram revistas em baixa, com o crescimento económico a desacelerar para 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027. Alemanha, França e Itália deverão registar ritmos de crescimento moderados, entre 0,5% e 0,9%.
A instituição sublinha que o impacto do conflito se soma aos efeitos persistentes da subida dos preços da energia desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, bem como à valorização do euro face a moedas de países exportadores.
Em paralelo, o FMI antecipa uma pressão inflacionista acrescida. A inflação global deverá subir para 4,4% em 2026, descendo depois para 3,7% em 2027.
Num cenário mais adverso, caso o conflito se prolongue e provoque novos choques energéticos, o crescimento global poderá cair para 2,5% em 2026, enquanto a inflação poderá atingir 5,4%.
O relatório aponta ainda para um aumento significativo dos preços das matérias-primas energéticas, com destaque para o petróleo, que deverá subir mais de 20%, atingindo uma média de 82 dólares por barril.
Também os preços do gás natural e dos alimentos deverão ser afetados, devido a perturbações nas cadeias de abastecimento, custos de transporte mais elevados e maior pressão sobre os fertilizantes.
O FMI destaca que a incerteza geopolítica, nomeadamente associada ao conflito no Médio Oriente, continua a ser um dos principais riscos para a economia mundial, com efeitos diretos na energia, inflação e crescimento económico global.