terça-feira, 16 jun. 2026

Ferrari revela primeiro elétrico da história: novo Luce custa 550 mil euros e tem mais de 1.000 cavalos

A Ferrari apresentou o Luce, o primeiro automóvel 100% elétrico da marca italiana. O superdesportivo desenvolvido com Jony Ive terá mais de 1.000 cv, autonomia superior a 500 km e um preço a rondar os 550 mil euros

A Ferrari apresentou o Luce, o primeiro automóvel totalmente elétrico da história da marca italiana, numa aposta considerada estratégica para o futuro da fabricante de Maranello.

O novo modelo, cujo nome significa “luz” em italiano, representa uma mudança histórica para a Ferrari num momento em que várias marcas rivais, como a Porsche e a Lamborghini, têm vindo a reduzir as ambições no mercado elétrico devido à procura abaixo das expectativas.

O Luce foi desenvolvido em colaboração com Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, através da agência LoveFrom.

O modelo terá um preço estimado em cerca de 550 mil euros e as primeiras entregas estão previstas para o último trimestre de 2026.

“É o resultado de cinco anos de trabalho”, afirmou o presidente executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, durante a apresentação realizada em Roma.

Primeiro Ferrari de cinco lugares

O Luce marca também outra estreia absoluta para a marca do cavalo rampante: será o primeiro Ferrari com cinco lugares.

Com dimensões próximas de um SUV desportivo, quatro portas e acesso traseiro através de portas de abertura invertida, o modelo foi pensado para captar famílias de elevado poder de compra e novos clientes para o universo Ferrari.

O interior aposta numa combinação de tecnologia digital e materiais premium, incluindo couro de elevada qualidade, alumínio reciclado e comandos inspirados nos modelos clássicos da marca.

O habitáculo inclui três ecrãs — painel de instrumentos digital, consola central ajustável e painel traseiro — além de vários comandos físicos e analógicos.

Mais de 1.000 cv e autonomia acima dos 500 quilómetros

No plano mecânico, o Luce contará com quatro motores elétricos independentes, um por cada roda, capazes de gerar mais de 1.000 cavalos de potência.

Segundo a Ferrari, o modelo poderá acelerar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e atingir velocidades superiores a 310 km/h.

A energia será fornecida por uma bateria de 122 kWh compatível com carregamento rápido até 350 kW, permitindo uma autonomia estimada superior a 530 quilómetros no ciclo WLTP.

O automóvel integra ainda direção às quatro rodas, suspensão ativa e um sistema avançado de controlo dinâmico que analisa as condições da estrada a cada cinco milissegundos.

Ferrari tenta preservar “alma” sonora dos motores V8

Um dos elementos mais distintivos do Luce é o sistema acústico criado pela Ferrari para compensar a ausência do som tradicional dos motores de combustão.

Em vez de reproduzir artificialmente ruídos digitais, a marca desenvolveu um sistema que capta vibrações reais dos motores elétricos através de sensores instalados no eixo traseiro, amplificando-as para criar uma assinatura sonora inspirada nos históricos motores V8 da Ferrari.

A fabricante italiana acredita que este modelo poderá reforçar a sua presença em mercados como a China, onde os veículos elétricos têm forte aceitação e os automóveis a combustão de grande cilindrada enfrentam elevada carga fiscal.