terça-feira, 21 jul. 2026

Beleza intemporal

Em 1967, uma boa dose de coragem e alguma loucura estiveram na origem do Alfa Romeo 33 Stradale, considerado um dos modelos mais bonitos de sempre. A quinta-essência da beleza automóvel está avaliada em mais de 10 milhões de euros!

O Alfa Romeo 33 Stradale foi apresentado no salão de Turim, em 1967, e exibia soluções técnicas do protótipo de corrida Tipo 33. Era uma obra-prima, em que a ousadia criativa combinava com aerodinâmica e performances puras, sem precisar de artifícios como ailerons ou spoilers. Franco Scaglione desenhou um carro com uma pureza de linhas e elegância notáveis, onde os faróis eram os “olhos”, a grelha frontal a “boca”, a frente o “rosto” e tinha “ombros” alargados. No entanto, o design de Scaglione foi ainda mais futurista ao conceber um tejadilho na configuração de bolha com estrutura em T e portas em forma de borboleta, que se abriam para cima e para fora simultaneamente de forma a facilitar o acesso ao habitáculo de dois lugares. 

A Autodelta foi responsável por transformar um protótipo de corrida num potente carro de estrada de tração traseira. Por tudo isto, o 33 Stradale era um carro único – não se assemelhava a nada do que existia na altura – que não perdeu nada do seu poder de sedução (e já passaram quase 60 anos!). Foram produzidas, à mão, apenas 18 unidades, entre 1967 e 1969. Os poucos exemplares sobreviventes são verdadeiras joias de coleção, que ultrapassam os 10 milhões de euros.

O projeto 33 começou a ganhar forma em 1964 quando Carlo Chiti ficou responsável pela conceção de um carro que permitisse à Alfa Romeo regressar às corridas nas “classes do momento” e obter sucesso junto do público e da imprensa, isto depois de ter conquistado os dois primeiros Campeonatos do Mundo de Fórmula 1, em 1950 e 1951, com Nino Farina e Juan Manuel Fangio. 

Origem nas pistas

Passados dois anos, a obra estava pronta. As únicas diferenças que havia em relação à versão de pista era o aumento da distância entre eixos em 10 centímetros, uma estrutura de aço em vez de alumínio e um motor com 230 cv (- 30 cv). Refletia na perfeição a ligação entre o mundo das corridas e os automóveis de estrada. Uma ligação confirmada pela presença do famoso emblema do trevo de quatro folhas ‘quadrifoglio’, que, desde 1923, simboliza os desportivos de elevado desempenho da Alfa Romeo. 

O 33 Stradale dispunha de chassis tubular em forma de H e carroçaria em fibra de vidro. Na secção dianteira, uma estrutura de magnésio era o suporte ideal para a suspensão, radiadores, direção e pedais. O motor V8 fabricado inteiramente numa liga de alumínio e magnésio é uma peça que vale a pena contemplar. Tinha 2.0 litros de cilindrada, 230 cv de potência, atingia 260 km/h de velocidade máxima e acelerava de 0 a 100 km/h em 5,5 s… isto em 1967! De notar que o motor e a caixa de cinco velocidades estavam montados longitudinalmente em posição central traseira para uma melhor repartição de peso. A suspensão era inspirada nos carros de corrida da época, com braços duplos nos dois eixos e barra estabilizadora atrás, e tinha travões de disco ventilados nas quatro rodas. Estava equipado com jantes Campagnolo em magnésio de 8 polegadas à frente e 9 polegadas atrás. Outra particularidade: pesava apenas 700 kg, o seu descendente pesa mais do dobro na versão a gasolina. 

Na altura do lançamento, o 33 Stradale custava 10 milhões de liras (5200 euros), era dos carros mais caros do mercado e o objetivo inicial de vender 50 exemplares nunca foi atingido. Na altura, os principais concorrentes do 33 Stradale eram o Ferrari 275 GTB/4, Lamborghini Miura e Ford GT40.

O Alfa Romeo 33 entrou na competição a 12 de março de 1967. Durante 10 anos, ganhou inúmeras corridas nos mais prestigiados circuitos do mundo, que culminaram com o triunfo da Alfa Romeo no Campeonato do Mundo de Sport Protótipos entre 1975 e 1977.

Qual Fénix renascida das suas cinzas, o Alfa Romeo 33 Stradale regressou em 2023 na forma de um supercarro, onde há uma clara inspiração no modelo original, desenhado por Franco Scaglione, em 1967. Uma história gloriosa deu origem a um futuro fascinante com este superdesportivo do qual foram produzidas apenas 33 unidades de acordo com as especificações do comprador, pelo que cada modelo é único e custa dois milhões de euros (antes de impostos), tendo chegado aos 3,9 milhões de euros no mercado de usados/investimento. Para os felizes proprietários, é um preço justo pelas emoções vividas a bordo deste coupé de dois lugares com motor V6 3.0 biturbo de 620 cv, que atinge os 333 km/h de velocidade máxima e acelera de 0 a 100 km/h em menos de três segundos. Este superdesportivo está também disponível com motor elétrico de 750 cv.