Agressivo e provocante

O Renault 5 Turbo foi uma referência entre os automóveis desportivos dos anos 80. Não era apenas imagem, era um verdadeiro tratado de engenharia automóvel que transmitia emoções fortes e pedia mãos sábias
Agressivo e provocante

No início dos anos 80, um construtor generalista como a Renault ousou lançar um carro marginal, que nada tinha a ver com o grande público, e foi isso que fez do Renault 5 Turbo um sucesso. A coqueluche da marca chamou a atenção no salão de Bruxelas pela imagem agressiva e performances impressionantes. Foi considerado um dos desportivos mais divertidos e desafiadores de conduzir devido à potência, ao turbo que soprava como uma fera e à tração traseira. Os pilotos diziam: «O R5 Turbo não se conduz, domina-se». A aceleração era brutal e cada curva um duelo entre máquina e homem. Era um brinquedo reservado a mãos experientes e a amantes de emoções fortes e custava 115.000 francos, o equivalente a 17.500 euros. Hoje em dia, continua a ser um carro adorado, cobiçado e caro, a primeira geração pode chegar aos 190.000 euros.

A ideia de transformar um carro popular (Renault 5) numa ‘besta’ de corridas foi bem conseguida. Os engenheiros da Renault Sport conceberam um chassis específico, deslocaram o motor para a traseira e montaram um turbo no pequeno motor 1.4 a gasolina. A Heuliez fez os alargamentos da carroçaria para montar pneus mais largos, colocou imponentes entradas de ar laterais, modificou o capot para melhorar a circulação do ar e montou um tejadilho e painéis das portas em alumínio.

O habitáculo concebido pela Bertone tinha duas tonalidades: vermelho e azul. Os bancos tipo baquet garantiam uma excelente posição de condução e tinham cintos de segurança de três apoios. O ambiente era típico das corridas, com volante de três raios e instrumentação com inserções coloridas e mostradores analógicos Jaeger, que permitiam ao condutor acompanhar o funcionamento do motor e travões. Tudo era simples, mas incrivelmente encantador.

Turbo explosivo!

O motor de quatro cilindros 1.400 cc estava montado em posição central traseira – uma arquitetura reservada a desportivos muito especiais – e graças ao turbocompressor Garret T3 (0,9 bar) desenvolvia 160 cv. Foi o primeiro carro de série francês produzido com esta tecnologia. As performances eram impressionantes para a época, com uma velocidade máxima de 200 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 6,9s. O motor estava acoplado a uma caixa de cinco velocidades. A suspensão seguia o esquema dos carros de competição com triângulos sobrepostos nos dois eixos, amortecedores telescópicos e barras de torção. O sistema de travagem era composto discos ventilados à frente e atrás.

No Salão de Paris de 1982, foi lançado o Renault 5 Turbo 2. O design interior era diferente e tecnicamente herdava a mecânica da primeira versão. No ano seguinte foi lançada uma série de 200 unidades para homologação em Grupo B com o objetivo de participar no Campeonato do Mundo de ralis. Tinha uma carroçaria ainda mais agressiva, com apêndices de maiores dimensões para aumentar a carga aerodinâmica, a cilindrada subiu para 1.500 cc e a potência aumentou para 240 cv. Em 1984, a marca francesa apresentou uma versão superdesportiva: o R5 Maxi Turbo, do qual foram produzidas apenas 20 unidades. Tinha uma carroçaria mais larga e leve, devido à utilização de elementos em fibra de carbono e kevlar, recebeu um turbo maior, a potência disparou para 350 cv e a velocidade máxima era de 223 km/h.

O Renault 5 Turbo teve uma presença marcante no Mundial de ralis. Venceu o Monte Carlo em 1981, na estreia do inovador Audi Quattro, a Volta à Córsega em 1982 e 1985 e o Rali de Portugal em 1986, com o piloto português Joaquim Moutinho. Além de ser uma estrela na competição, ficou também célebre no cinema ao participar numa perseguição no filme “Nunca digas nunca”, em 1983, em que Sean Connery fazia de James Bond.