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As vendas de automóveis novos na União Europeia aumentaram 4% nos primeiros cinco meses de 2026, face ao mesmo período do ano passado, impulsionadas pela forte procura de veículos elétricos e híbridos, segundo dados divulgados pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
Portugal destacou-se pela positiva, registando um crescimento acumulado de 9,8% nas matrículas de veículos novos entre janeiro e maio, acima da média europeia. Apenas em maio, o mercado nacional cresceu 6,5% em termos homólogos.
Os veículos 100% elétricos continuam a ganhar terreno no mercado europeu.
Entre janeiro e maio foram matriculados 950.521 automóveis elétricos na União Europeia, elevando a sua quota de mercado para 20%, um aumento significativo face aos 15,3% registados no mesmo período de 2025.
Os maiores crescimentos foram observados em Itália (+75,7%), França (+55,4%) e Alemanha (+40,9%), enquanto a Bélgica registou uma evolução mais moderada (+2,8%).
Em conjunto, estes quatro mercados representaram 63% de todas as matrículas de veículos elétricos realizadas na União Europeia.
Os híbridos elétricos continuam, contudo, a ser a escolha preferida dos consumidores europeus, representando 37,8% do mercado, com um total de 1,79 milhões de unidades matriculadas.
Já os híbridos plug-in alcançaram uma quota de 9,7%, acima dos 8,3% registados há um ano.
Gasolina e gasóleo continuam em queda
Em sentido contrário, os veículos equipados com motores de combustão tradicional continuam a perder relevância.
A quota conjunta dos automóveis a gasolina e a gasóleo caiu para 30,1% do mercado europeu, longe dos 38% registados em igual período do ano passado.
As vendas de veículos a gasolina recuaram 18,2%, com França a liderar as quebras (-36,8%), seguida por Espanha (-20,3%), Alemanha (-18,5%) e Itália (-17,3%).
Os automóveis a gasóleo mantiveram igualmente a tendência descendente, com uma redução de 16,6% nas matrículas e uma quota de mercado de apenas 7,6%.
Segundo a ACEA, os incentivos fiscais e os programas nacionais de apoio à compra de veículos eletrificados continuam a ser determinantes para a transformação do mercado automóvel europeu.
Volkswagen mantém liderança
No ranking dos construtores, o Grupo Volkswagen voltou a liderar o mercado europeu.
Na União Europeia, o grupo alemão registou 1,27 milhões de matrículas entre janeiro e maio, um crescimento de 1,5% face ao mesmo período do ano passado.
Em maio, apesar de uma quebra homóloga de 3,6%, o grupo manteve-se destacado na liderança com mais de 254 mil veículos matriculados.
A segunda posição pertence à Stellantis, que cresceu 5,7% no acumulado do ano, seguida pelo Grupo Renault.
Quando são incluídos os mercados da União Europeia, Reino Unido e países da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), a Volkswagen reforça a liderança com uma quota de mercado de 25,8%, seguida pela Stellantis (15,5%) e pelo Grupo Renault (9,2%).
Fabricantes chineses ganham espaço
Os maiores destaques continuam a surgir da China.
A BYD protagonizou uma das evoluções mais expressivas do mercado europeu, aumentando as matrículas em 145,2% nos primeiros cinco meses do ano e alcançando uma quota de mercado de 2,3%.
Também a Chery registou uma forte expansão, com um crescimento de 316%, atingindo 2,1% do mercado europeu.
Por sua vez, o Grupo Geely — proprietário de marcas como Volvo, Polestar, Lotus, Lynk & Co e Smart — aumentou as vendas em 6,5%, alcançando 176.676 veículos matriculados e uma quota de mercado de 3%.
Na análise apenas da União Europeia, o Geely continua a ser o fabricante chinês com maior volume de vendas, seguido pela SAIC Motor e pela BYD.
BYD já supera Tesla em alguns indicadores
A rápida expansão da BYD permitiu à fabricante chinesa ultrapassar marcas históricas do setor em vários mercados europeus.
Em maio, a empresa terminou à frente de construtores como Nissan, Mazda e Tesla em número de matrículas em diversos segmentos, consolidando-se como um dos protagonistas da transformação do mercado automóvel.
A Tesla também registou um desempenho positivo, aumentando as suas vendas em 57,2% entre janeiro e maio, para mais de 118 mil unidades, o equivalente a uma quota de mercado de 2%.
Os dados da ACEA confirmam uma tendência cada vez mais evidente: enquanto os veículos elétricos e híbridos continuam a conquistar compradores, os fabricantes chineses aceleram a sua presença na Europa, aumentando a pressão competitiva sobre as marcas tradicionais do continente.