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O cerco aperta-se em torno de Patrick Drahi, investidor franco-israelita, mais conhecido como o fundador e principal acionista do grupo de telecomunicações e media Altice. De acordo com o jornal Libération, a justiça suíça ordenou a apreensão de duas residências pertencentes ao magnata, assim como outras propriedades em nome de familiares, a pedido do empresário português Armando Pereira, antigo braço-direito e cofundador do grupo. Segundo a Bloomberg, o processo está avaliado em cerca de 1,2 mil milhões de francos suíços (cerca de 1,5 mil milhões de euros).
Recorde-se que o litígio entre os dois empresários agravou-se após a Operação Picoas, desencadeada em 2023, investigação que colocou Armando Pereira no centro de suspeitas relacionadas com alegadas irregularidades em processos de compras e contratação associados à Altice. Na altura, Drahi procurou demarcar-se publicamente do caso.
Segundo a agência de notícias, esta disputa acontece num momento delicado para Drahi, que está a ser pressionado para a necessidade de reduzir dívida através da venda de ativos estratégicos, sendo que esta apreensão poderá complicar futuras operações financeiras e aumentar a incerteza em torno da reorganização do império Altice.
Por outro lado, Patrick Drahi enfrenta uma outra frente judicial, desta vez ligada ao empresário Bruno Macedo, que pede cerca de 70 milhões de euros em alegadas comissões e indemnizações. De acordo com o jornal francês L’Informé, Bruno Macedo terá desempenhado um papel relevante na negociação dos direitos televisivos do FC Porto pela operação portuguesa da Altice, e exige o pagamento de 10 milhões de euros relativos a contratos de prestação de serviços, aos quais junta um pedido adicional de 60 milhões por danos sofridos.
Estas notícias surgem numa altura em que a operadora em Portugal viu os seus resultados cairem nos três primeiros meses do ano. Se recuarmos ao primeiro trimestre de 2023 – ano em que surgiu a Operação Picoas –, a Altice Portugal faturou 699 milhões de euros (um aumento de 14,2% face ao período anterior), registou um EBITDA de 245 milhões (+10,5%) e um investimento de 111 milhões (+7,7%). No entanto, três anos depois, as receitas atingiram os 703 milhões de euros, um aumento de apenas 0,9% em relação a idêntico período anterior, o EBITDA atingiu os 226 milhões, o que representou uma quebra de 7,3% o investimento totalizou os 106 milhões, um aumento de 5,5% em relação a período homólogo de ano anterior.
Números que revelam que a operadora está a dar sinais de estagnação, depois de dois anos de aumentos tarifários históricos. Recorde-se que em 2023, as faturas aumentaram até 7,8%, refletindo a inflação. Em 2024, Portugal voltou a liderar a subida de preços nas telecomunicações na União Europeia. Só em 2025, com a entrada da Digi no mercado nacional, a guerra comercial pressionou os preços em baixa.
Estes resultados surgem numa altura também marcada por falhas dos serviços da MEO em várias zonas do país e após ter sido dado a conhecer o número total de estações (2G,3G,4G e 5G), em que, ao se contabilizarem as estações separadas que incluem diferentes tecnologias, conclui-se que a Vodafone é o operador com maior número de estações – com um total de 20.685 estações (34,9%) –, a NOS detém 16.913 estações (28,5%), a MEO 12.368 estações (20,8%) e a DIGI, chegada à pouco ao mercado, já tem 9.373 (15,8%). Ao mesmo tempo, de acordo com os resultados apresentados, continua a verificar-se uma degradação da Altice Labs, em Aveiro. Em 2024, a Altice reconheceu que as receitas cresceram apenas 0,7% devido à quebra da Altice Labs, associada sobretudo à redução das vendas de equipamentos e hardware. Já em 2025, a empresa voltou a admitir que a unidade continua a pesar nas contas, deixando assim de aparecer como motor de crescimento, e passou a ser apontada como um ativo problemático.