quarta-feira, 15 abr. 2026

Um terço das residências sénior em Portugal já acolhe estrangeiros e 70% não têm vagas disponíveis

Dados mostram que 33,5% das residências já têm residentes estrangeiros, embora estes representem apenas 4,4% do total de utentes nas unidades que participaram no inquérito.
Um terço das residências sénior em Portugal já acolhe estrangeiros e 70% não têm vagas disponíveis

A procura por residências sénior em Portugal continua a aumentar e já começa a refletir novas dinâmicas no setor. Um terço destas unidades acolhe atualmente utentes de outras nacionalidades, ao mesmo tempo que a maioria das instituições não tem qualquer vaga disponível, pressionando os preços cobrados às famílias.

Segundo o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, realizado pela Via Sénior e pela BA&N Research Unit, 33,5% das residências já têm residentes estrangeiros, embora estes representem apenas 4,4% do total de utentes nas unidades que participaram no inquérito. O fenómeno reflete, de acordo com o estudo, a crescente atratividade do país para reformados estrangeiros.

“Este indicador confirma a perceção de que era cada vez mais frequente encontrar cidadãos de outras nacionalidades nas residências sénior em Portugal. São pessoas com uma capacidade financeira acima da média portuguesa e que olham para o mercado português como um destino de eleição”, afirma Nuno Saraiva da Ponte, CEO da Via Sénior.

Portugal surge também em destaque no Relatório Global de Reforma 2025, que coloca o país em primeiro lugar entre os destinos que combinam melhor qualidade de vida com menor custo de vida para quem procura reformar-se no estrangeiro.

 

Falta de vagas e preços a subir

Num país que continua entre os mais envelhecidos da União Europeia, o estudo mostra um agravamento da pressão sobre a rede de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI). Cerca de 70% das residências não têm qualquer vaga disponível, um aumento face aos 67% registados no ano anterior.

A percentagem de instituições com taxa de ocupação inferior a 90% também diminuiu. Apenas 8% das residências indicam ter alguma disponibilidade, quando em 2024 esse valor era de 11%.

A escassez de lugares traduz-se igualmente em listas de espera: quase 70% das residências indicam ter lista de espera, sendo que 36% apontam para tempos superiores a seis meses, enquanto 29% referem períodos entre dois e seis meses.

Os números mostram ainda que o aumento da procura e a falta de vagas têm impacto direto nos preços. Segundo o estudo, 84,5% das residências aumentaram os valores mensais cobrados aos utentes.

Em 2025, o preço médio de um quarto duplo atingiu 1.717 euros por mês, mais de 200 euros acima dos 1.500 euros registados no ano anterior. Já o quarto individual – a segunda tipologia mais comum – apresenta um valor médio de 1.921 euros, quando em 2024 custava 1.675 euros.

A disponibilidade de vagas é também influenciada pela duração da permanência dos residentes. De acordo com o inquérito, 62,7% dos idosos permanecem entre um e cinco anos nas residências, enquanto 33,6% ficam entre cinco e dez anos, o que acaba por reduzir a rotatividade.

O perfil etário mostra ainda uma população muito envelhecida. Mais de metade dos residentes (52,7%) têm entre 86 e 90 anos, e cerca de 30% situam-se entre os 81 e os 85 anos, refletindo o aumento da esperança média de vida e a necessidade crescente de cuidados especializados.

 

Tecnologia ganha espaço nas residências

O estudo indica também que as residências estão a reforçar os serviços disponíveis. Enfermeiros estão presentes em 99% das unidades, médicos de clínica geral em 96,4%, fisioterapeutas em 74,5% e nutricionistas em cerca de 25%.

A tecnologia tem igualmente ganho peso. Cerca de 84,5% das residências disponibilizam sistemas de comunicação digital com familiares, como videochamadas, enquanto 64,5% utilizam plataformas digitais para atividades e estimulação cognitiva, além de sistemas de monitorização remota e telemedicina.

O 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal resulta de um inquérito realizado junto de residências a operar no país, representativas de cerca de 45% das camas privadas existentes em Portugal.