A presidente da Comissão Europeia anunciou esta terça-feira a criação de uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras, numa estratégia que pretende reforçar a autonomia energética da Europa.
Segundo Ursula von der Leyen, os recursos serão financiados através do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia e destinam-se a reduzir o risco de investimento em tecnologias nucleares de baixo carbono.
“Queremos não só diminuir o risco destes investimentos, mas também enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem”, afirmou urante a Cimeira sobre Energia Nuclear, em Paris.
A cimeira visa reduzir a dependência europeia de combustíveis fósseis importados, sobretudo num contexto de crescente instabilidade internacional.
A responsável sublinhou que a Europa enfrenta uma desvantagem estrutural devido à dependência energética externa.
“A Europa não é produtora de petróleo nem de gás. Dependemos completamente de importações caras e voláteis”, disse.
Crise no Médio Oriente expõe vulnerabilidades energéticas
A presidente da Comissão Europeia destacou ainda que a atual tensão geopolítica, incluindo a guerra envolvendo o Irão, voltou a expor as fragilidades do sistema energético europeu.
O conflito intensificou receios sobre a segurança do abastecimento global, sobretudo após o encerramento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o comércio energético mundial.
Cerca de 20% do petróleo global e uma parte significativa do gás natural liquefeito transportado por via marítima passam por esta passagem, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA e da ONU.
Nuclear e renováveis como base do sistema energético
Ursula von der Leyen defendeu que a combinação entre energia nuclear e fontes renováveis poderá garantir maior estabilidade energética e preços mais competitivos na Europa.
“A eletricidade acessível é decisiva tanto para o custo de vida dos cidadãos como para a competitividade da indústria”, afirmou.
Segundo a responsável, a energia nuclear tem a vantagem de fornecer eletricidade de forma contínua, 24 horas por dia, ao longo de todo o ano, funcionando como complemento às energias renováveis.
Pequenos reatores modulares no centro da estratégia
A iniciativa europeia inclui ainda uma nova estratégia para pequenos reatores modulares (SMR), uma tecnologia nuclear de nova geração que Bruxelas pretende ver operacional no início da década de 2030.
O plano prevê:
simplificar processos regulatórios;
criar espaços de teste para tecnologias nucleares inovadoras;
reforçar a cooperação entre Estados-membros;
acelerar o licenciamento e a formação de especialistas no setor.
O objetivo passa por reforçar a competitividade industrial europeia e garantir energia mais acessível a longo prazo.
Europa teme repetir crise energética de 2022
A instabilidade no Médio Oriente reacendeu receios de uma nova crise energética semelhante à registada após a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Como a União Europeia depende fortemente de importações de energia provenientes de mercados globais ligados à região, qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de petróleo e gás tende a provocar choques nos mercados e subida de preços.