Relacionados
A Comissão Europeia admite que a União Europeia enfrenta uma “crise de preços” na energia, impulsionada pelo conflito no Médio Oriente. Bruxelas prepara medidas temporárias e direcionadas, afastando mudanças estruturais no mercado energético europeu.
“Não é crise de abastecimento, mas de preços”
O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, afirmou que a atual situação não configura uma crise de fornecimento, mas sim uma forte escalada de preços.
“Não estamos perante uma crise de abastecimento (...), mas estamos numa crise de preços e o facto de estarem tão elevados é algo que não podemos ignorar”, disse, à entrada de uma reunião do Conselho de Energia, em Bruxelas.
Segundo o responsável, a Comissão está a avaliar “medidas direcionadas e de curto prazo”, sublinhando que não estão em causa alterações profundas ao sistema energético europeu.
Bruxelas afasta mudanças no mercado elétrico
Apesar da pressão sobre os preços, a Comissão Europeia defende a manutenção do atual modelo de mercado.
“Precisamos que o mercado funcione e de garantir segurança de abastecimento”, afirmou Jørgensen, destacando o papel do sistema de preço marginal na estabilidade do setor.
O comissário sublinhou ainda que, face à crise de 2022, existe hoje menor dependência do gás na formação do preço da eletricidade, graças ao reforço das energias renováveis.
Medidas em estudo para travar subida dos preços
Entre as opções em análise por Bruxelas estão:
Limitação temporária do preço do gás
Redução de impostos e encargos nas faturas
Apoios estatais a empresas e setores industriais
Utilização de reservas estratégicas de energia
Ajustes no mercado europeu de carbono
A Comissão defende também medidas de proteção aos consumidores, numa altura em que os preços da eletricidade e do gás continuam a subir no espaço comunitário.
Conflito no Médio Oriente pressiona mercados
A atual escalada de preços surge no contexto do agravamento do conflito no Médio Oriente, após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro.
O encerramento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — aumentou a tensão nos mercados energéticos globais.
Qualquer perturbação nesta rota crítica tende a provocar choques na oferta e subida dos preços, com impacto direto na Europa, altamente dependente de importações energéticas.
Europa tenta evitar nova crise como a de 2022
Bruxelas procura evitar um cenário semelhante ao de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, que desencadeou uma crise energética sem precedentes.
A resposta estrutural, insiste a Comissão Europeia, passa por:
Acelerar o investimento em energias renováveis
Reforçar redes elétricas
Apostar na eficiência energética
Para já, a prioridade é conter a escalada dos preços sem comprometer o funcionamento do mercado.