O turismo é conhecido como a tábua de salvação da economia portuguesa mas desengane-se quem pensa que só o nosso país é que depende – ou que pelo menos ganha muito – com esta atividade. Em 2025, o turismo internacional ultrapassou todas as expectativas e estabeleceu novos recordes mundiais. Dados do World Tourism Barometer – um relatório da Organização Mundial do Turismo – confirmam que 1,52 biliões de turistas internacionais foram registados em todo o mundo, um aumento de cerca de 4 % em relação a 2024, o que representa quase 60 milhões de viajantes adicionais.
Estes números só provam que – felizmente – lá se vai o tempo da pandemia, com aviões parados em terra e praças turísticas – ou não – vazias, hotéis com as camas feitas durante meses e restaurantes sem clientes para encher mesas.
Mas os números ultrapassam até o tempo pré-pandemia: Este desempenho não apenas recupera totalmente os níveis anteriores à pandemia como sinaliza um regresso às tendências de crescimento sustentado que caracterizavam o setor entre 2009 e 2019.
O destaque europeu
A Europa consolidou sua posição como a região mais visitada do mundo, recebendo cerca de 793 milhões de turistas internacionais em 2025 – um crescimento de 4% face a 2024 e 6% acima dos níveis de 2019, último ano pré-pandemia. Estes valores refletem a forte atratividade dos destinos mediterrânicos, culturais e urbanos da região. Entre os destinos com melhor desempenho na Europa, destacam-se a Islândia (+29%), a Noruega (+13%), o Chipre (+12%) e a Macedónia do Norte (+10%). Já os Países Baixos registaram um crescimento de 5% nas chegadas internacionais, enquanto a Espanha e a Áustria apresentaram um aumento de 3% em relação ao total de turistas internacionais.
Recentemente, Espanha confirmou mesmo um recorde de 96,77 milhões de turistas no ano passado. Os visitantes gastaram 134.712 milhões de euros no país, o que representa o valor mais alto já registado naquela região, que foi visitada por mais de três milhões de turistas portugueses.
Com estes valores, o turismo já representa cerca de 12,6 % do Produto Interno Bruto (PIB) dos nuestros hermanos, contribuindo com 134,7 mil milhões de euros em receitas e consolidando o país como terceiro maior destino mundial em receitas turísticas.
Mas há outros destaque nas Europa. A França, tradicionalmente o destino mais visitado do mundo, manteve também um desempenho sólido, com aumento significativo das receitas turísticas e forte procura internacional, impulsionada tanto pelas grandes cidades como pelo turismo rural e de natureza. Em conjunto, França e Espanha continuam a formar o eixo mais forte do turismo europeu, atraindo centenas de milhões de visitantes anualmente. Destaque ainda para a Turquia que encerrou 2025 com um resultado histórico de 64 milhões de visitantes internacionais e 65,231 milhões de dólares em receitas turísticas.
Mas também o arco mediterrânico voltou a ser uma das regiões mais procuradas em 2025. Itália, Grécia e Portugal beneficiaram de um crescimento consistente tanto no número de turistas como nas receitas, confirmando a atratividade dos destinos culturais, gastronómicos e de sol e mar.
No caso português, o turismo manteve-se como um dos pilares da economia, com procura elevada nos mercados tradicionais europeus e crescimento em mercados de longa distância. A diversificação da oferta e a aposta em destinos fora dos grandes centros urbanos continuam a ser fatores diferenciadores.
Além dos grandes destinos, 2025 foi também marcado por crescimentos percentuais muito elevados em países de menor dimensão. Malta, Finlândia, Lituânia e Letónia estiveram entre os países europeus com maior aumento relativo de chegadas internacionais, refletindo novas tendências de viagem, maior procura por destinos alternativos e aposta em sustentabilidade e natureza.
Os dados do ano passado confirmam que a Europa não só recuperou do choque provocado pela pandemia como entrou numa fase de consolidação e crescimento sustentável. O aumento do número de turistas, aliado ao crescimento das receitas, indica uma maior valorização da experiência turística e um gasto médio mais elevado.
Ásia e Pacífico: Recuperação em curso
Com 331 mil milhões de chegadas, a Ásia e o Pacífico mostraram uma recuperação sólida, com um crescimento de 6 % em relação ao ano anterior. Apesar de ainda ligeiramente abaixo dos níveis de 2019, sub-regiões como o Nordeste Asiático lideraram o crescimento, impulsionadas pela expansão de ligações aéreas e pela reabertura de mercados de longa distância.
Butão (+30%), Sri Lanka (+17%) e Maldivas (+10%) estiveram entre os destinos com melhor desempenho na região. Mas grandes destinos como o Japão (+17%) e a República da Coreia (+15%) também registaram crescimento de dois dígitos até novembro. Japão está, aliás, no top dos países que registaram maior crescimento nas receitas.
Este país está até mais acessível para turistas, tendo registado um novo máximo histórico de turistas estrangeiros, ao ultrapassar pela primeira vez a marca dos 40 milhões de visitantes anuais. Estes números justificam-se com a forte desvalorização do iene que continua a ser um dos principais fatores a impulsionar a procura turística, tornando o destino mais competitivo para os mercados externos.
África com o maior crescimento percentual
Os dados mostram que África foi a região com maior crescimento percentual, registando um aumento de 8% nas chegadas, totalizando 81 mil milhões de visitantes internacionais. Países como Marrocos e Tunísia tiveram desempenhos notáveis, com os números disparando graças a campanhas promocionais e nova conectividade aérea.
Crescimento moderado nas américas
Nas Américas, o crescimento foi mais modesto – cerca de 1% – com forte contribuição da América do Sul e Central, ainda que os resultados dos Estados Unidos tenham sido relativamente fracos, refletindo desafios económicos e questões de acessibilidade.
O destaque vai mesmo para o Brasil: recebeu 9,29 milhões de turistas internacionais, um aumento de 37,1% comparado a 2024, tornando-se o melhor ano da história do país para o turismo global. Esse resultado superou largamente as expectativas do plano nacional de promoção turística e coloca o Brasil entre os protagonistas no cenário internacional de viagens.
Perspetivas de um bom 2026
As perspetivas para 2026 apontam para uma continuação do crescimento do turismo internacional, ainda que a um ritmo mais moderado. Segundo projeções da Organização Mundial do Turismo, as chegadas internacionais deverão aumentar entre 3% e 4% face a 2025, refletindo uma fase de normalização após a forte recuperação pós-pandemia. Este crescimento deverá ser sustentado pela consolidação da procura em mercados maduros, pela recuperação ainda em curso da Ásia e do Pacífico e pela melhoria da conectividade aérea. Eventos internacionais de grande dimensão, como o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 e os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, poderão também contribuir para um impulso adicional às viagens globais, num contexto em que o setor procura equilibrar crescimento económico com sustentabilidade e gestão dos destinos.