O planeamento inicial e a previsão ajustada do Programa Ferrovia 2020, que foi lançado em 2016, mostraram-se «irrealistas», com a taxa de execução financeira a atingir os 69,1% em 2024, atingindo os 1.880 milhões de euros. Um número que ficou aquém dos 91,9% que estavam previstos, revela a auditoria feita pelo Tribunal de Contas (TdC). «O programa deveria ter sido executado até 2021, sendo que a grande maioria das intervenções deveria estar concluída antes de 2020, mas o relatório revela que o desvio na execução do programa já se situa em cinco anos, estando agora previsto pela IP que a sua conclusão possa ocorrer em 2027», disse o organismo.
Segundo o TdC, a auditoria concluiu que «o desfasamento entre o planeamento do F2020 [Ferrovia 2020] e a sua concretização resultou de um conjunto de constrangimentos, tanto internos como externos à IP», indicando que entre os fatores internos, a auditora «aponta o planeamento inicial demasiado otimista e as limitações de capacidade da própria entidade».
O Tribunal de Contas apontou ainda «a ultrapassagem dos prazos de execução das empreitadas (em média, o dobro do previsto)» o que revela «problemas ao nível do planeamento dos processos aquisitivos e de gestão da obra, com potenciais reflexos nos custos totais das empreitadas», mas também na «restrição da concorrência», uma vez que as «derrapagens de prazo indiciam a adjudicação de propostas com prazos de execução irrealistas».