Reino Unido propõe à UE mercado único de bens para reforçar relações pós-Brexit

O Governo britânico propôs à União Europeia a criação de um mercado único de bens para aprofundar as relações económicas após o Brexit. A iniciativa de Londres terá sido recebida com ceticismo por Bruxelas, numa altura em que decorrem negociações para uma nova cimeira bilateral
Reino Unido propõe à UE mercado único de bens para reforçar relações pós-Brexit

O Governo do Reino Unido propôs à União Europeia a criação de um mercado único de bens, numa tentativa de reforçar as relações económicas entre Londres e Bruxelas no período pós-Brexit.

A informação foi avançada pelo jornal britânico The Guardian e pela BBC, que revelam que a proposta foi apresentada por Michael Ellam, principal responsável britânico pelas relações com a UE, durante as negociações preparatórias da próxima cimeira bilateral entre os dois blocos.

Segundo as mesmas fontes, Bruxelas recebeu a proposta com algum ceticismo e terá defendido soluções já conhecidas, como uma união aduaneira ou a integração britânica no Espaço Económico Europeu (EEE).

Essas hipóteses, contudo, colidem com as linhas vermelhas estabelecidas pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Desde que assumiu funções, o líder trabalhista tem insistido que o Reino Unido não regressará ao mercado único europeu, à união aduaneira nem aceitará a retoma da livre circulação de pessoas.

Ainda assim, fontes do executivo britânico garantem que a criação de um mercado único de mercadorias é apenas uma das várias possibilidades em análise e negam que a proposta tenha sido rejeitada de forma definitiva pela UE.

A proposta britânica recupera um modelo semelhante ao defendido em 2018 pela então primeira-ministra conservadora, Theresa May, durante as negociações do acordo comercial pós-Brexit.

Na altura, Bruxelas opôs-se à possibilidade de o Reino Unido beneficiar de acesso privilegiado ao mercado europeu sem aceitar as restantes regras comunitárias, receando que isso incentivasse movimentos eurocéticos noutros Estados-membros.

A segunda cimeira bilateral entre Londres e Bruxelas deverá realizar-se a 13 de julho, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O encontro surge na sequência da primeira cimeira realizada a 19 de maio de 2025, também em Londres, e deverá servir para fechar vários acordos atualmente em negociação.

Entre os principais dossiês em cima da mesa estão um acordo veterinário e fitossanitário para reduzir barreiras comerciais no setor agroalimentar, a ligação dos mercados de emissões de carbono e um possível desbloqueio do programa de mobilidade juvenil.

As duas partes discutem ainda a cooperação industrial na área da defesa, o acesso britânico ao programa europeu de empréstimos à Ucrânia, a inovação tecnológica e o combate à imigração irregular.

Apesar das linhas vermelhas mantidas pelo Governo britânico, o executivo liderado por Keir Starmer tem dado sinais de querer aprofundar os laços políticos e económicos com a União Europeia, numa altura em que o Brexit continua a ser um dos temas centrais da política britânica.