sexta-feira, 12 jun. 2026

Reclamações no setor da energia disparam 85%

As reclamações no setor da energia aumentaram 85% no arranque de 2026, impulsionadas pelos problemas de faturação da Galp e pelas falhas no fornecimento após a tempestade Kristin. A ERSE recebeu mais de 9.500 queixas em apenas três meses
Reclamações no setor da energia disparam 85%

O número de reclamações no setor da energia disparou 85% nos primeiros três meses deste ano face ao mesmo período de 2025, com os problemas de faturação associados à Galp e as interrupções no fornecimento de eletricidade a dominarem as queixas dos consumidores.

Segundo os dados divulgados esta quinta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), entre janeiro e março foram registadas 9.584 reclamações, um aumento de 80% face ao trimestre anterior.

O setor elétrico concentrou a maioria das queixas, representando 71,2% do total, seguido pelo fornecimento dual de eletricidade e gás, com 13,6%.

Os quatro temas mais reclamados — faturação, interrupção do fornecimento, qualidade técnica do serviço e contratos de fornecimento — corresponderam a 66,5% das reclamações registadas.

No boletim de apoio ao consumidor, a ERSE destaca o aumento das reclamações relacionadas com interrupções no fornecimento e falhas na qualidade técnica do serviço, situação que associa ao período de temperaturas mais baixas no início do ano e aos efeitos da tempestade Kristin.

“Comparativamente com temas de trimestres anteriores, destaca-se o crescimento das reclamações por interrupção de fornecimento e qualidade de serviço técnica, certamente influenciado pelas interrupções verificadas no início do ano”, refere o regulador, citado pela agência Lusa.

A faturação foi outro dos principais focos de contestação por parte dos consumidores. Segundo a ERSE, o peso deste tema aumentou 10 pontos percentuais face ao trimestre anterior, “motivado essencialmente pelas dificuldades de faturação verificadas com o comercializador Petrogal”.

Desde o final de 2025, clientes da Galp têm relatado atrasos na emissão de faturas de eletricidade e gás, recebendo posteriormente valores acumulados considerados elevados.

Apesar de a empresa ter assegurado em março que o problema estaria resolvido, continuam a existir relatos de consumidores afetados por atrasos e erros de faturação.

Os pedidos de intervenção direta da ERSE também registaram uma subida expressiva. No primeiro trimestre do ano, o regulador recebeu 2.250 pedidos de intervenção, o que representa um aumento de 75% face ao trimestre anterior e de 99% em comparação com o período homólogo de 2025.

A entidade reguladora admite que o número de pedidos poderá continuar a aumentar nos próximos meses, uma vez que a intervenção da ERSE acontece numa fase posterior à resposta dada pelas empresas aos consumidores.

Segundo os dados divulgados, em 40% dos processos em que a ERSE interveio as pretensões dos consumidores foram total ou parcialmente satisfeitas. Já em 35% dos casos, o regulador limitou-se a prestar esclarecimentos e informação aos clientes.