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O número de reclamações no setor da energia disparou 85% nos primeiros três meses deste ano face ao mesmo período de 2025, com os problemas de faturação associados à Galp e as interrupções no fornecimento de eletricidade a dominarem as queixas dos consumidores.
Segundo os dados divulgados esta quinta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), entre janeiro e março foram registadas 9.584 reclamações, um aumento de 80% face ao trimestre anterior.
O setor elétrico concentrou a maioria das queixas, representando 71,2% do total, seguido pelo fornecimento dual de eletricidade e gás, com 13,6%.
Os quatro temas mais reclamados — faturação, interrupção do fornecimento, qualidade técnica do serviço e contratos de fornecimento — corresponderam a 66,5% das reclamações registadas.
No boletim de apoio ao consumidor, a ERSE destaca o aumento das reclamações relacionadas com interrupções no fornecimento e falhas na qualidade técnica do serviço, situação que associa ao período de temperaturas mais baixas no início do ano e aos efeitos da tempestade Kristin.
“Comparativamente com temas de trimestres anteriores, destaca-se o crescimento das reclamações por interrupção de fornecimento e qualidade de serviço técnica, certamente influenciado pelas interrupções verificadas no início do ano”, refere o regulador, citado pela agência Lusa.
A faturação foi outro dos principais focos de contestação por parte dos consumidores. Segundo a ERSE, o peso deste tema aumentou 10 pontos percentuais face ao trimestre anterior, “motivado essencialmente pelas dificuldades de faturação verificadas com o comercializador Petrogal”.
Desde o final de 2025, clientes da Galp têm relatado atrasos na emissão de faturas de eletricidade e gás, recebendo posteriormente valores acumulados considerados elevados.
Apesar de a empresa ter assegurado em março que o problema estaria resolvido, continuam a existir relatos de consumidores afetados por atrasos e erros de faturação.
Os pedidos de intervenção direta da ERSE também registaram uma subida expressiva. No primeiro trimestre do ano, o regulador recebeu 2.250 pedidos de intervenção, o que representa um aumento de 75% face ao trimestre anterior e de 99% em comparação com o período homólogo de 2025.
A entidade reguladora admite que o número de pedidos poderá continuar a aumentar nos próximos meses, uma vez que a intervenção da ERSE acontece numa fase posterior à resposta dada pelas empresas aos consumidores.
Segundo os dados divulgados, em 40% dos processos em que a ERSE interveio as pretensões dos consumidores foram total ou parcialmente satisfeitas. Já em 35% dos casos, o regulador limitou-se a prestar esclarecimentos e informação aos clientes.