Os quatro maiores bancos a operarem em Portugal - BC, Santander Totta, BPI e novobanco - lucraram 880 milhões de euros no primeiro trimestre. Feitas as contas dá uma média de quase 14 milhões por dia. Mas ao contrário do que tem acontecido em trimestres anteriores, apenas o BCP e o novobanco viram os seus resultados subir neste período.
O banco liderado por Miguel Maya está à frente no ranking de melhor resultado nos três primeiros meses do ano ao apresentar um lucro de 305,8 milhões, uma subida de 25,6% face a igual período do ano passado. Só o resultado da atividade em Portugal situou-se nos 265,4 milhões de euros, um aumento de 21,5% quando comparado com os três primeiros meses de 2025. Um resultado que levou o CEO da instituição financeira a afirmar que não se trata de «lucros excessivos nem inesperados».
A margem financeira (diferença entre juros cobrados no crédito e juros pagos nos depósitos) fixou-se nos 357,7 milhões, enquanto os custos operacionais aumentaram 4,5% para os 176,2 de euros. As comissões líquidas totalizaram 160,4 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 8,5% face aos 147,8 milhões apurados no 1.º trimestre de 2025. Os custos com o pessoal totalizaram 97,4 milhões de euros, situando-se ligeiramente acima (+0,5%) dos 96,9 milhões de euros apurados no mesmo período do ano anterior com o número de colaboradores na atividade em Portugal a atingir os 6.043, menos 186 do que em 31 de março de 2025 e com 388 balcões, menos nove balcões face a igual período do ano passado.
Logo a seguir na tabela de melhores resultados surge o Santander Totta, que viu os seus lucros caírem 9,8% para os 242,4 milhões de euros no primeiro trimestre. A instituição financeira, ainda assim, destacou a «trajetória de crescimento consistente do volume de negócios, apesar de um enquadramento internacional mais exigente, que tem condicionado as decisões de investimento».
A margem financeira encolheu 3,5% para 341,8 milhões de euros. De acordo com a instituição financeira, esta queda reflete a descida das taxas de juro face ao período homólogo. Os custos operacionais também contribuíram para penalizar o resultado ao registarem um aumento de 4,5% para 136,2 milhões. As comissões cobradas pelo banco registaram um aumento de 6% para 128,9 milhões. O banco reduziu em 113 o número de colaboradores entre março de 2025 e março de 2026, com menos 55 agências.
Já o novobanco registou lucros de 200,7 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 13,2% do que nos primeiros três meses de 2025. O resultado foi apresentado no mesmo dia em que o banco foi vendido aos franceses do BPCE, com o CEO Mark Bourke a destacar a atividade comercial que «continuou a evoluir a um ritmo sólido, com um aumento significativo do crédito a clientes e um crescimento sustentado dos depósitos».
A margem financeira caiu 1% para 276,2 milhões de euros, resultado das taxas de juro face a período homólogo.
Os custos operativos ascenderam a 130,6 milhões, uma subida de 3,1%, dos quais 69,5 milhões destinaram-se a custos com pessoal. As comissões aumentaram 1,5% em termos homólogos para 85,6 milhões. No final deste trimestre, a instituição financeira contava com 4.132 colaboradores, menos 81 do que um ano anterior e 302 balcões, mais 12 quando comparado com março de 2025. O banco explica que este aumento se deve à conversão de anteriores extensões em balcões.
Por seu lado, o lucro do BPI deslizou 2% para 133 milhões no primeiro trimestre do ano. A atividade em Portugal contribuiu com 90 milhões, uma diminuição de 8% «justificada pela redução dos proveitos com juros decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos face ao trimestre homólogo de 2025».
A margem financeira diminuiu 3% para 216 milhões de euros, enquanto os custos de estrutura subiram 4%. O número de colaboradores do BPI aumentou para 4 544, mais 269 do que no período homólogo. Já as comissões líquidas do grupo subiram 4% para 78,6 milhões de euros.
Também o Abanca apresentou lucros de 25,7 milhões de euros, em Portugal, durante o primeiro trimestre, mais 21,2% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o banco Montepio viu os seus resultados a cair 31% para 23,6 milhões.