quarta-feira, 22 jul. 2026

Produção mundial de pesca e aquicultura bate recorde histórico e ultrapassa 235 milhões de toneladas

A produção global de pesca e aquicultura atingiu um máximo histórico de mais de 235 milhões de toneladas em 2024, segundo a FAO. O crescimento foi impulsionado pela aquicultura, mas a ONU alerta para desafios relacionados com a sustentabilidade dos recursos marinhos e o acesso desigual aos alimentos aquáticos
Produção mundial de pesca e aquicultura bate recorde histórico e ultrapassa 235 milhões de toneladas

A produção mundial de pesca e aquicultura atingiu em 2024 um máximo histórico superior a 235 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico dos alimentos aquáticos na segurança alimentar global, revelou esta segunda-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo a FAO, o novo recorde demonstra a cada vez maior importância do setor para responder às necessidades alimentares de uma população mundial em constante crescimento. Ainda assim, a organização alerta que o desafio passa agora por assegurar um desenvolvimento sustentável e mais equilibrado da atividade.

"A produção mundial de pesca e aquicultura situa-se em máximos históricos, mas garantir um crescimento sustentável e equitativo continua a representar um desafio importante", destaca o relatório, publicado de dois em dois anos.

Apesar do crescimento da produção, a FAO manifesta preocupação com o estado das pescarias marinhas. Em 2023, apenas 62,4% das populações de peixes exploradas encontravam-se dentro dos limites da sustentabilidade biológica, uma redução de 2,1 pontos percentuais face a 2021.

A organização sublinha ainda que o aumento da produção não tem sido acompanhado por uma distribuição mais equitativa dos alimentos aquáticos. Em regiões como África, a disponibilidade per capita continua significativamente abaixo da média mundial, apesar da crescente relevância destes produtos para a nutrição humana.

Segundo a agência das Nações Unidas, os alimentos aquáticos assumem particular importância nos países de baixos rendimentos, onde representam uma das fontes mais acessíveis e económicas de proteína de elevada qualidade.

O setor garantiu emprego a cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo em 2024, consolidando o seu peso nas economias rurais e costeiras.

Aquicultura lidera crescimento

A aquicultura confirmou-se como o principal motor de expansão dos sistemas alimentares aquáticos, alcançando uma produção de 142 milhões de toneladas em 2024. A Ásia concentrou 89% desse volume, mantendo-se como a região dominante nesta atividade.

A FAO destaca, por outro lado, o potencial ainda pouco explorado do continente africano, cuja produção permanece limitada apesar das condições favoráveis para o desenvolvimento do setor.

Entre os maiores produtores mundiais de animais aquáticos em águas continentais destacam-se Índia, Bangladesh, China, Myanmar e Uganda, responsáveis por mais de metade da produção global nesta categoria.

Também o comércio internacional de espécies de água doce continua a crescer. Em 2024, movimentou cerca de 186 mil milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 160 mil milhões de euros, refletindo uma procura global robusta e o contributo do setor para o desenvolvimento económico e a melhoria dos níveis de nutrição.

Perspetivas para a próxima década

As previsões da FAO apontam para que a aquicultura continue a impulsionar o crescimento da produção mundial de alimentos aquáticos. Até 2034, a produção deverá atingir 214 milhões de toneladas, acima dos 195 milhões registados em 2023.

Contudo, a organização alerta que a sustentabilidade futura dependerá da capacidade de aumentar a eficiência produtiva, apostar na inovação tecnológica e garantir um acesso mais justo aos recursos e aos alimentos.

A disponibilidade média mundial de alimentos aquáticos de origem animal deverá subir dos atuais 21 quilogramas para 21,9 quilogramas por pessoa. Ainda assim, a FAO admite que o crescimento demográfico poderá pressionar a oferta e limitar os ganhos em algumas regiões.

África deverá registar a maior taxa de crescimento da disponibilidade destes alimentos, estimada em 18%, impulsionada tanto pelo aumento da produção interna como pelas importações, reforçando o papel do continente no futuro do setor