A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) manifestou esta terça-feira preocupação com os efeitos do novo regime jurídico da mobilidade elétrica, alertando para a possibilidade de alguns postos de carregamento virem a encerrar, sobretudo em zonas com menor procura.
Em declarações na Comissão de Infraestruturas, o presidente da UVE, Pedro Faria, afirmou que o novo enquadramento poderá transferir para os operadores a decisão de manter ou desativar infraestruturas com baixos níveis de utilização. Segundo o dirigente, esta situação pode afetar a cobertura da rede, especialmente em áreas menos povoadas.
A associação admite também que as mudanças legislativas possam contribuir para um aumento dos preços cobrados aos utilizadores. De acordo com Pedro Faria, o novo modelo não assegura uma proteção adequada aos investimentos realizados pelas empresas do setor, o que poderá levar os operadores a repercutir custos nos consumidores.
Para a UVE, esta combinação de fatores levanta dúvidas quanto à sustentabilidade do sistema a longo prazo e ao impacto no acesso à mobilidade elétrica. A associação defende que a rede de carregamento deve manter um equilíbrio entre viabilidade económica e serviço público, de forma a garantir que os utilizadores não sejam prejudicados.
O tema foi debatido no âmbito da análise parlamentar ao novo regime, que pretende reorganizar o funcionamento do mercado, promover a concorrência e incentivar a expansão da mobilidade elétrica em Portugal. No entanto, segundo a UVE, será necessário acompanhar de perto a aplicação das novas regras para evitar desigualdades no acesso e aumentos excessivos de custos.