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As famílias portuguesas gastaram, em média, 1.397 euros em saúde no último ano, excluindo seguros, segundo um estudo da DECO PROteste, realizado em parceria com a Euroconsumers em Portugal, Bélgica, Itália e Espanha.
Portugal destaca-se como o país onde mais pessoas sentem dificuldades em suportar estes custos: 31% dos inquiridos afirmam ter tido problemas em pagar despesas de saúde, a percentagem mais elevada entre os países analisados.
Entre as despesas mais frequentes estão os medicamentos com receita médica, referidos por 93% dos participantes, com um gasto médio anual de 415 euros. Os medicamentos sem receita surgem logo a seguir, mencionados por 78%, com uma média de 201 euros.
Os cuidados dentários representam o maior encargo médio, atingindo 520 euros por ano e estando presentes em 61% dos agregados familiares. Já os óculos graduados ou lentes de contacto, referidos por 48% dos inquiridos, têm um custo médio de 428 euros, enquanto os cuidados psicológicos e psiquiátricos atingem, em média, 463 euros.
As dificuldades financeiras têm impacto direto no acesso à saúde. O estudo indica que 27% dos portugueses adiaram, interromperam ou prescindiram de cuidados de saúde por motivos económicos. Entre estes, mais de metade refere consequências importantes ou muito graves na saúde e na qualidade de vida.
Os cuidados mais frequentemente adiados incluem tratamentos dentários, cuidados oftalmológicos, consultas médicas e medicamentos, evidenciando que muitas famílias são forçadas a priorizar despesas.
Na comparação internacional, Portugal apresenta a maior proporção de dificuldades (31%), seguido de Itália (27%), Bélgica (22%) e Espanha (16%). Embora Itália tenha a despesa média mais elevada (1.723 euros), em Portugal o impacto é agravado por rendimentos mais baixos.
Apesar de o Serviço Nacional de Saúde ser universal, o estudo mostra que não cobre todas as necessidades. Perante dificuldades de acesso e longos tempos de espera, mais de metade dos portugueses recorre a seguros ou planos de saúde