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O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertou esta sexta-feira que o aumento dos preços dos bilhetes de avião é “inevitável”, perante a escalada dos custos do combustível causada pela instabilidade no Médio Oriente.
Segundo o responsável, o preço do barril de querosene — principal combustível da aviação — duplicou desde o ataque israelo-americano contra o Irão, a 28 de fevereiro, ultrapassando já os 216 dólares, muito acima dos 88 dólares previstos pelas companhias aéreas para 2026.
“Não é preciso ser um génio para perceber que os custos adicionais serão muito superiores ao que as companhias podem absorver”, afirmou, antecipando que o impacto será inevitavelmente transferido para os passageiros.
As companhias aéreas estimavam gastar cerca de 26% das suas despesas operacionais em combustível este ano. No entanto, a rápida subida dos preços está a pressionar as margens e a obrigar o setor a rever estratégias.
De acordo com Willie Walsh, a subida dos preços dos bilhetes já começa a ser visível em alguns mercados, nomeadamente nos EUA, e deverá generalizar-se caso a crise persista.
Apesar disso, o responsável sublinha que a procura por viagens aéreas continua sólida. “As pessoas continuam a viajar, mas optam por viagens mais curtas”, explicou, afastando comparações diretas com a crise provocada pela COVID-19, embora admita paralelismos com o impacto no setor após os ataques de 11 de setembro de 2001.
IATA pede revisão das regras europeias
Perante o aumento dos custos e a transição energética, a IATA defende uma revisão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS), alertando para o risco de perda de competitividade das companhias europeias.
Entre as propostas estão:
Implementação plena do mecanismo global CORSIA;
Adoção do modelo “book-and-claim” para combustíveis sustentáveis (SAF);
Reinvestimento das receitas do EU ETS na descarbonização do setor;
Evitar medidas regulatórias duplicadas que aumentem custos sem benefícios ambientais claros.
A associação sublinha que a conectividade aérea é crítica para a economia europeia e alerta que custos excessivos podem reduzir a oferta e limitar opções para os consumidores.
Procura por voos vai duplicar até 2050
Apesar da atual volatilidade, as perspetivas de longo prazo mantêm-se positivas. A IATA prevê que a procura global por transporte aéreo mais do que duplique até 2050, atingindo cerca de 20,8 mil milhões de passageiros (RPK).
O crescimento deverá ser mais acentuado na Ásia-Pacífico e em África, enquanto a Europa registará uma expansão mais moderada.
Para Willie Walsh, estes dados reforçam a necessidade de políticas públicas equilibradas: “As pessoas querem viajar. O desafio é garantir que o setor cresce de forma sustentável e economicamente viável.”