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O preço do petróleo continua a disparar, após um novo incidente no estreito de Ormuz. Esta subida surge numa altura em que os preços dos combustíveis voltaram a subir no arranque da semana, anulando as quedas registadas anteriormente, com o gasóleo simples a subir seis cêntimos por litro e a gasolina simples 95 a aumentar 6,9 cêntimos por litro, de acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e motivando um reforço do desconto no ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) por parte do Governo para mitigar este impacto.
«A guerra entre os Estados Unidos e o Irão continua a gerar incerteza nos mercados energéticos, pressionando os preços em alta à medida que os investidores incorporam o risco de perturbações prolongadas no abastecimento», refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, lembrando que «ambas as partes têm adotado um tom cada vez mais beligerante, reduzindo as perspetivas de uma solução negociada e de uma normalização do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz».
Uma situação que, de acordo com o responsável, tem contribuído para uma forte redução do tráfego de petroleiros através desta rota marítima crucial, pela qual passa habitualmente cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
«A crise ameaça prolongar-se e as perturbações já estão a afetar as encomendas para o quarto trimestre, acrescentando uma maior pressão em alta sobre os preços. Perante este cenário, e tendo em conta as reduzidas perspetivas de um acordo de paz no curto prazo que permita a reabertura total do Estreito, existe margem para novas subidas dos preços», salienta.
O impacto poderá, assim, prolongar-se para além das próximas semanas, sobretudo se a redução do tráfego marítimo se mantiver e as empresas começarem a antecipar dificuldades de abastecimento para o final do ano. Neste cenário, os preços poderão continuar sujeitos a uma elevada volatilidade, reagindo a cada novo incidente ou sinal de agravamento do conflito.
Recorde-se que a passagem marítima assume uma importância estratégica para o mercado energético mundial. Habitualmente, cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo e de gás natural liquefeito atravessa esta rota, pelo que qualquer interrupção significativa pode ter efeitos imediatos sobre os preços internacionais e aumentar a pressão sobre os custos de energia.
É certo que, segundo o regulador, «a referência mais relevante não é a cotação do barril de petróleo bruto, mas as cotações internacionais da gasolina e do gasóleo já refinados», considerando os fretes marítimos, os custos logísticos, a incorporação de biocombustíveis, a comercialização e os impostos.