sexta-feira, 13 mar. 2026

Petróleo dispara e bolsas europeias recuam com escalada do conflito no Médio Oriente

Escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, está a agitar os mercados financeiros globais
Petróleo dispara e bolsas europeias recuam com escalada do conflito no Médio Oriente

Os mercados financeiros iniciaram a semana sob forte pressão, na sequência da escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão. O petróleo disparou, as bolsas recuaram e os investidores procuraram ativos de refúgio, como o ouro.

 “O mercado reflete o nervosismo dos investidores”

O preço do petróleo WTI arrancou a semana com um salto de quase 10% face ao fecho de sexta-feira. Para Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, o movimento traduz o receio crescente quanto ao impacto da guerra na oferta global de energia.

“Este gap de mercado reflete o nervosismo entre os investidores, após o início de uma nova guerra no Médio Oriente, que está a desestabilizar toda a região”, afirma.

Segundo o responsável, o agravamento do conflito, com o Irão a retaliar depois de ter sido bombardeado pelos EUA e por Israel, aumentou significativamente o risco geopolítico. “O crude iraniano encontra-se atualmente fora do mercado, enquanto o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz foi interrompido”, sublinha.

O estreito é um ponto essencial do comércio energético mundial, por onde passa cerca de 25% da produção global de petróleo transportada por via marítima. Apesar de o crude ter entretanto devolvido parte dos ganhos iniciais, mantém-se acima dos 72 dólares por barril, um máximo que não era observado desde junho.

“Quanto mais tempo o conflito persistir e o petróleo do Golfo permanecer retido na região, maior será a probabilidade de os preços continuarem a subir, podendo aproximar-se da fasquia dos 100 dólares por barril”, alerta Ricardo Evangelista.

 “O sentimento é de clara aversão ao risco”

Também as bolsas europeias arrancaram a semana em terreno negativo. Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, descreve um ambiente de cautela generalizada.

“A abertura dos mercados veio acompanhada de um sentimento global de aversão ao risco, na sequência da escalada da guerra entre os EUA/Israel e o Irão”, afirma.

De acordo com o analista, os setores mais expostos ao transporte aéreo foram dos mais penalizados, devido à perspectiva de menor atividade no Médio Oriente e ao aumento dos custos energéticos. Em contrapartida, empresas de defesa e de energia beneficiaram do choque petrolífero.

“Os investidores estão de olhos postos no Estreito de Ormuz, que, na prática, está interdito e por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial”, destaca.

Para já, o impacto nas bolsas mantém-se relativamente contido. “Os próximos desenvolvimentos na região serão fundamentais para avaliar a extensão e a profundidade do impacto nas bolsas, que por agora permanece modesto”, conclui Henrique Valente.

Num contexto de elevada incerteza geopolítica, os mercados permanecem altamente sensíveis a qualquer sinal de agravamento — ou distensão — do conflito, num cenário que poderá determinar a evolução do petróleo, das ações e dos ativos de refúgio nas próximas semanas.