A aliança petrolífera OPEP+ anunciou este domingo um aumento da produção de petróleo bruto em mais 206 mil barris por dia a partir de abril, numa decisão que surge num contexto de forte tensão no Médio Oriente, mas sem qualquer referência direta ao ataque contra o Irão.
De acordo com o comunicado divulgado pela Organizacao dos Paises Exportadores de Petroleo (OPEP), com sede em Viena, o reforço da oferta tem em conta “perspetivas económicas globais estáveis” e níveis baixos de reservas. A nota não menciona os desenvolvimentos geopolíticos recentes, após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que mantém os mercados energéticos em alerta.
A decisão foi tomada numa breve teleconferência entre os ministros da Energia e do Petróleo da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. Segundo o comunicado, os países procederão a “ajustes voluntários adicionais”, traduzindo-se num aumento conjunto de 206 mil barris diários.
Os maiores acréscimos serão registados na Rússia e na Arábia Saudita, ambos superiores a 62 mil barris por dia.
Preços sob pressão e risco no Estreito de Ormuz
Analistas do mercado energético admitem que o reforço da produção poderá não ser suficiente para travar uma subida dos preços, num cenário de instabilidade regional.
O barril de Brent crude oil, referência na Europa, já incorporava um prémio de risco antes do conflito, tendo superado os 72 dólares na sexta-feira. A evolução dos preços poderá acentuar-se com a reabertura dos mercados.
Em causa está também a segurança do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo. Segundo a Força Naval da União Europeia, a Guarda Revolucionária iraniana terá avisado via rádio que “não é autorizada” a passagem naquele corredor estratégico, essencial não só para o petróleo, mas também para o gás natural liquefeito.
O Irão, membro fundador da OPEP desde 1960, produziu em janeiro cerca de 3,1 milhões de barris por dia, aproximadamente 11% da produção total dos 12 membros do grupo, segundo fontes independentes. Até 2025, era o quarto maior produtor dentro da OPEP+, atrás de Rússia, Arábia Saudita e Iraque, tendo sido recentemente ultrapassado pelos Emirados Árabes Unidos.
Greenpeace critica dependência dos combustíveis fósseis
A Greenpeace International considerou que a decisão da OPEP+ demonstra como a estabilidade global permanece dependente da geopolítica energética.
“A reunião da OPEP+ deixa uma coisa clara: enquanto o nosso mundo funcionar com petróleo e gás, a nossa paz, segurança e bolsos estarão sempre à mercê da geopolítica”, afirmou o presidente executivo da organização, Mads Christensen, citado em comunicado.
O responsável acrescentou que o aumento da produção poderá aliviar temporariamente a pressão sobre os preços, mas “não resolve a vulnerabilidade estrutural no cerne desta crise recorrente: a dependência contínua do mundo dos combustíveis fósseis”.
A organização apelou ainda a um cessar-fogo imediato e a soluções “pacíficas e diplomáticas”, defendendo a aposta em energias renováveis como forma de reduzir a exposição a conflitos geopolíticos