quarta-feira, 13 mai. 2026

OLAF recomenda recuperar 597 milhões de euros por fraude em 2025

Entre as principais áreas de intervenção no ano passado estiveram casos de irregularidades financeiras complexas, comércio ilícito transfronteiriço, infrações aduaneiras e fraude ambiental.
OLAF recomenda recuperar 597 milhões de euros por fraude em 2025

O Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) recomendou, em 2025, a recuperação de 597 milhões de euros para o orçamento da União Europeia (UE), na sequência de investigações a fraudes e irregularidades.

De acordo com um relatório divulgado esta segunda-feira, o OLAF não só identificou montantes a devolver aos cofres europeus como evitou ainda uma potencial despesa indevida de 18 milhões de euros, reforçando o seu papel na proteção dos interesses financeiros da UE.

Ao longo do ano, o organismo concluiu 209 investigações e abriu 254 novos processos. Estes números consolidam a posição do OLAF como principal entidade de supervisão no combate à fraude com fundos europeus.

O relatório destaca ainda o impacto acumulado da última década, período em que o organismo contribuiu para recuperar ou proteger cerca de 6,8 mil milhões de euros. Este montante teve efeitos diretos no financiamento de projetos públicos, na investigação científica e na proteção de fronteiras.

“As nossas conclusões traduzem-se em benefícios diretos para os cidadãos europeus”, afirmou o diretor-geral do OLAF, Petr Klement, citado no relatório.

Entre as principais áreas de intervenção em 2025 estiveram casos de irregularidades financeiras complexas, comércio ilícito transfronteiriço, infrações aduaneiras e fraude ambiental. As investigações abrangeram também suspeitas de conflitos de interesses, manipulação de contratos públicos e inflacionamento de custos.

O organismo europeu acompanhou ainda tentativas de contornar sanções impostas pela UE à Rússia e à Bielorrússia, além de prestar apoio às autoridades ucranianas em matérias aduaneiras e de aplicação da lei.

No documento, o OLAF sublinha a importância da transparência nas instituições europeias e o papel das investigações internas na manutenção de elevados padrões de conduta e integridade financeira.

Apesar dos resultados, o relatório alerta para desafios crescentes, nomeadamente a redução de recursos humanos. Nos últimos 15 anos, o organismo perdeu 110 postos permanentes, uma realidade que pode comprometer a sua capacidade de resposta num contexto de fraude cada vez mais sofisticada.