terça-feira, 18 ago. 2026

Oferta de casas para arrendar cai 22% em Portugal. Porto e Coimbra registam as maiores quebras

A oferta de casas para arrendar em Portugal caiu 22% no segundo trimestre, para 40.716 imóveis, face ao mesmo período de 2025. Coimbra (-58%) e Porto (-52%) registaram as maiores quebras entre as capitais de distrito, enquanto Lisboa teve uma redução de 27%. Em sentido contrário, Funchal (+58%) e Viana do Castelo (+57%) destacaram-se pelo aumento da oferta. Os dados do Idealista mostram que a escassez de casas para arrendamento continua especialmente concentrada nos grandes centros urbanos, onde a pressão sobre as famílias permanece mais elevada
Oferta de casas para arrendar cai 22% em Portugal. Porto e Coimbra registam as maiores quebras

A oferta de casas disponíveis para arrendamento de longa duração em Portugal caiu 22% no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2025, para um total de 40.716 imóveis. Os dados são do portal imobiliário Idealista e mostram uma redução particularmente acentuada nos grandes centros urbanos, com Coimbra e Porto a registarem as maiores quebras.

A diminuição da oferta foi registada em seis das 20 capitais de distrito e regiões autónomas analisadas. Coimbra liderou as descidas, com uma redução de 58% no número de imóveis disponíveis para arrendamento, seguida pelo Porto, com menos 52%.

Lisboa registou igualmente uma queda significativa, de 27%, enquanto Leiria (-9%), Portalegre (-8%) e Braga (-5%) completam a lista dos territórios onde a oferta diminuiu.

Funchal e Viana do Castelo destacam-se pelo aumento da oferta

Em sentido contrário, 12 das capitais de distrito analisadas registaram um aumento da oferta de casas para arrendar.

O Funchal apresentou a maior subida, com mais 58% de imóveis disponíveis, seguido por Viana do Castelo (+57%), Vila Real (+50%) e Ponta Delgada (+44%).

Também houve aumentos em Viseu (+37%), Bragança (+35%), Faro (+33%), Évora (+31%), Santarém (+30%), Castelo Branco (+20%), Guarda (+11%) e Setúbal (+6%). Aveiro e Beja mantiveram uma oferta estável.

Citado em comunicado, o porta-voz do Ideaçista alertou que "os aumentos percentuais mais elevados registados em algumas cidades devem ser interpretados com cautela, uma vez que correspondem, em muitos casos, a apenas "algumas dezenas de imóveis adicionais", devido à reduzida dimensão desses mercados.

"O problema real do arrendamento em Portugal concentra-se nos grandes centros urbanos, onde a oferta continua a cair e a pressão sobre as famílias é mais intensa", afirmou Ruben Marques.

Oferta de arrendamento cresce em 14 dos 20 territórios analisados

Apesar da queda global registada no país, a oferta de habitação disponível para arrendamento aumentou em 14 dos 20 territórios analisados pelo Idealista.

Beja registou o maior crescimento, com uma subida de 65%, seguindo-se a ilha da Madeira (+50%) e Bragança (+44%).

O aumento da oferta foi também significativo em Portalegre (+41%), São Miguel (+40%), Viana do Castelo (+38%), Évora (+28%), Guarda (+27%), Vila Real (+22%) e Viseu (+22%).

Faro registou uma subida de 14%, enquanto Castelo Branco aumentou 9%, Braga 7% e Santarém 3%.

Porto e Coimbra lideram queda do 'stock' de casas para arrendar

A análise por distrito confirma a pressão existente nos principais mercados de arrendamento.

Coimbra registou uma redução de 49% no 'stock' de imóveis disponíveis para arrendamento, enquanto no distrito do Porto a quebra chegou aos 42%.

Lisboa apresentou uma diminuição de 20%, seguida por Setúbal (-10%), Leiria (-5%) e Aveiro (-4%).

Apesar da quebra homóloga, o número de imóveis disponíveis para arrendamento manteve-se praticamente estável face ao primeiro trimestre de 2026, com uma variação de apenas -0,3%.

Os dados foram recolhidos e analisados pelo Idealista/data e têm por base a base de dados própria da plataforma, bem como informação pública e privada disponível.

Os números refletem assim um cenário de forte pressão sobre a oferta de arrendamento nos maiores centros urbanos do país, numa altura em que a procura por habitação continua elevada e o acesso a uma casa para arrendar permanece um dos principais desafios para muitas famílias portuguesas.