segunda-feira, 17 ago. 2026

Norte aumenta exportações em 2,6%, mas perde mais de 20 mil empregos na indústria

As exportações de bens do Norte cresceram 2,6% no primeiro trimestre de 2026, em contraciclo com a queda de 6,6% a nível nacional. Apesar do aumento global do emprego na região, a indústria transformadora perdeu 20.200 postos de trabalho num ano, enquanto setores como as atividades imobiliárias, financeiras e de informação tiveram fortes crescimentos
Norte aumenta exportações em 2,6%, mas perde mais de 20 mil empregos na indústria

As exportações de bens do Norte cresceram 2,6% no primeiro trimestre de 2026, em termos homólogos, contrariando a tendência nacional, que registou uma queda de 6,6%, segundo o relatório Norte Conjuntura, divulgado esta terça-feira pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Apesar do desempenho positivo das exportações, a região perdeu 20.200 empregos na indústria transformadora, o setor com maior peso no emprego regional.

"A população empregada no Norte é de 1,8 milhões de pessoas", tendo aumentado 1,2% face ao primeiro trimestre de 2025, o que corresponde a um acréscimo líquido de 21.500 postos de trabalho.

O crescimento global do emprego foi impulsionado sobretudo pelo setor terciário, que registou um aumento homólogo de 4,7%, equivalente a mais 54.100 postos de trabalho.

Atividades imobiliárias destacam-se na criação de emprego

Entre os setores com maior crescimento do emprego destaca-se o das atividades imobiliárias, que aumentou 60,9% num ano, correspondendo a mais 8.400 pessoas empregadas.

Seguiram-se as atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, com um crescimento de 21,5%, equivalente a mais 4.900 empregos, e as atividades financeiras e de seguros, que cresceram 18,1%, com mais 5.100 pessoas empregadas.

Também as atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares registaram uma evolução positiva, com mais 10.800 trabalhadores, enquanto as atividades de informação e comunicação ganharam 8.900 empregos.

Em sentido contrário, o emprego na educação diminuiu 8,2%, o equivalente a menos 11.400 pessoas.

A indústria transformadora registou a maior perda de emprego. O setor, que continua a ser o mais representativo da região, perdeu 4,8% dos postos de trabalho face ao primeiro trimestre de 2025, num total de menos 20.200 empregos.

Na construção, a redução foi menos acentuada, com uma queda de 1,7%, correspondente a menos 2.600 postos de trabalho.

Indústria do vestuário regista maior queda na produção

Os principais indicadores das indústrias com maior implantação no Norte apresentaram, no primeiro trimestre, uma evolução negativa na maioria dos casos.

A exceção foi a fabricação de veículos automóveis e seus componentes, cuja produção aumentou 4,8% em termos homólogos.

A maior quebra foi registada na indústria do vestuário, com uma redução de 6,4% da produção face ao primeiro trimestre de 2025.

Seguiram-se a indústria do couro e calçado, com uma queda de 4,9%, e a fabricação de têxteis, que recuou 4,4%.

A evolução do volume de negócios acompanhou a tendência negativa da produção. A indústria do couro e calçado registou uma diminuição homóloga de 5,7%, enquanto o volume de negócios da indústria do vestuário caiu 3,7% e o dos têxteis diminuiu 3%.

Em sentido contrário, a fabricação de veículos automóveis e seus componentes registou um aumento de 9,4% no volume de negócios.

Desemprego mantém-se nos 6%

Apesar da perda de emprego na indústria transformadora, a taxa de desemprego no Norte manteve-se estável no primeiro trimestre, nos 6%, ligeiramente abaixo dos 6,1% registados a nível nacional.

Os trabalhadores por conta de outrem na região registaram também uma evolução positiva do rendimento. O salário líquido mensal aumentou 4,6% em termos reais e homólogos, acima do crescimento médio nacional, de 4,3%.

Turismo cresce acima da média nacional

O turismo apresentou igualmente uma evolução positiva no Norte.

As dormidas nos estabelecimentos turísticos da região aumentaram 6,2% no primeiro trimestre de 2026, em termos homólogos, um crescimento significativamente superior ao registado em Portugal, que ficou nos 1,2%.

Em sentido contrário, o licenciamento de edifícios manteve uma trajetória descendente. O número total de edifícios licenciados diminuiu 10,1% face ao primeiro trimestre de 2025.

Crédito à economia aumenta 8,6%

A inflação registada no Norte ficou nos 2,2%, o mesmo valor observado a nível nacional.

Já o crédito concedido à economia regional apresentou uma evolução mais forte do que a média do país. O montante global de crédito concedido a empresas e famílias aumentou 8,6% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026.

A subida ficou acima dos 7,2% registados a nível nacional.

Os dados da CCDR-N traçam, assim, um retrato económico misto da região: o Norte mantém uma evolução positiva nas exportações, no emprego global, nos salários, no turismo e no crédito, mas enfrenta uma forte quebra do emprego na indústria transformadora e dificuldades na maioria das suas principais atividades industriais.