quinta-feira, 16 abr. 2026

Motoristas TVDE param atividade por falta de resposta de Uber e Bolt aos combustíveis

O preço dos combustíveis já aumentou mais de 40 cêntimos, mas nem a Uber nem a Bolt ajustaram os preços das viagens ou criaram mecanismos de apoio aos motoristas
Motoristas TVDE param atividade por falta de resposta de Uber e Bolt aos combustíveis

Quase 1.500 carros a combustão deixaram de operar em março em Lisboa e Porto, segundo a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, que denuncia falta de ajuste nas tarifas face à subida dos combustíveis.

A associação afirma que a “paragem está a acelerar”, sobretudo entre os veículos a combustão, que representam 57% da frota, enquanto os elétricos (43%) acabam por “mascarar” o impacto real.

De acordo com a APTAD, o preço dos combustíveis já aumentou mais de 40 cêntimos, mas nem a Uber nem a Bolt ajustaram os preços das viagens ou criaram mecanismos de apoio aos motoristas.

A associação acusa ainda ambas as plataformas de não responderem a cartas abertas onde eram questionadas sobre medidas para lidar com o aumento dos custos.

Motoristas deixam de trabalhar

As consequências já são visíveis no terreno, com motoristas a abandonar a atividade, os operadores a suspender serviços e uma redução significativa de viaturas disponíveis.

Segundo a APTAD, “deixou de ser viável trabalhar nestas condições”, resumindo a situação como trabalhar para perder dinheiro.

A associação considera que o problema também resulta de falhas no enquadramento legal dos TVDE, uma vez que permite às plataformas definir preços unilateralmente, sem ligação aos custos reais da atividade.

Nesse sentido, propõe alterações à legislação, incluindo tarifas mínimas obrigatórias e uma taxa de ocupação mínima por plataforma.

O objetivo seria garantir rendimentos sustentáveis para os motoristas e evitar o abandono da atividade.

Pressão aumenta sobre plataformas e Governo

Perante o agravamento da situação, a APTAD exige uma resposta imediata da Uber e da Bolt, intervenção do Governo e uma revisão urgente da lei do setor

Sem mudanças, o setor poderá enfrentar redução de oferta e impacto no serviço aos utilizadores, sobretudo nas maiores cidades.