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Quase 1.500 carros a combustão deixaram de operar em março em Lisboa e Porto, segundo a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, que denuncia falta de ajuste nas tarifas face à subida dos combustíveis.
A associação afirma que a “paragem está a acelerar”, sobretudo entre os veículos a combustão, que representam 57% da frota, enquanto os elétricos (43%) acabam por “mascarar” o impacto real.
De acordo com a APTAD, o preço dos combustíveis já aumentou mais de 40 cêntimos, mas nem a Uber nem a Bolt ajustaram os preços das viagens ou criaram mecanismos de apoio aos motoristas.
A associação acusa ainda ambas as plataformas de não responderem a cartas abertas onde eram questionadas sobre medidas para lidar com o aumento dos custos.
Motoristas deixam de trabalhar
As consequências já são visíveis no terreno, com motoristas a abandonar a atividade, os operadores a suspender serviços e uma redução significativa de viaturas disponíveis.
Segundo a APTAD, “deixou de ser viável trabalhar nestas condições”, resumindo a situação como trabalhar para perder dinheiro.
A associação considera que o problema também resulta de falhas no enquadramento legal dos TVDE, uma vez que permite às plataformas definir preços unilateralmente, sem ligação aos custos reais da atividade.
Nesse sentido, propõe alterações à legislação, incluindo tarifas mínimas obrigatórias e uma taxa de ocupação mínima por plataforma.
O objetivo seria garantir rendimentos sustentáveis para os motoristas e evitar o abandono da atividade.
Pressão aumenta sobre plataformas e Governo
Perante o agravamento da situação, a APTAD exige uma resposta imediata da Uber e da Bolt, intervenção do Governo e uma revisão urgente da lei do setor
Sem mudanças, o setor poderá enfrentar redução de oferta e impacto no serviço aos utilizadores, sobretudo nas maiores cidades.