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A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados alertou esta segunda-feira para um aumento “abrupto” dos custos, com o preço do gasóleo a subir cerca de 30 cêntimos por litro nas últimas semanas.
“Não estamos perante uma variação pontual. Estamos perante um aumento brusco de um dos principais custos da atividade”, afirma Ivo Miguel Fernandes, presidente da APTAD.
Segundo a associação, este agravamento tem impacto direto nos rendimentos dos motoristas e operadores de transporte individual remunerado de passageiros (TVDE).
“Incompreensível e inqualificável”
Numa carta aberta dirigida às plataformas, a APTAD critica duramente a ausência de revisão tarifária: “Esta posição demonstra uma total desconexão com a realidade económica de quem trabalha no setor e uma profunda falta de respeito pelos motoristas.”
A associação contesta o modelo atual, que ajusta preços com base na procura e na disponibilidade de motoristas, ignorando — diz — o aumento dos custos operacionais.
Propostas para mudar o setor
A APTAD defende alterações estruturais no setor, incluindo:
Criação de uma taxa mínima de ocupação das plataformas
Limitação da entrada de novos veículos quando a procura é baixa
Redução da saturação do mercado e melhoria dos rendimentos
A associação considera que a revisão da lei do setor TVDE é uma “fase decisiva” para corrigir fragilidades do modelo.
Bolt e Uber admitem pressão, mas não prometem aumentos
Contactada, a Bolt reconhece o impacto do aumento dos combustíveis e garante estar a acompanhar a situação: “Estamos conscientes de que os custos com combustível são uma componente importante dos rendimentos dos motoristas”, referiu fonte oficial, citada pela agência Lusa.
A plataforma indica estar a avaliar medidas para mitigar o impacto a curto prazo, mantendo o equilíbrio entre preços para clientes e ganhos dos motoristas.
Já a Uber sublinha que o seu modelo ajusta preços em tempo real e destaca benefícios como descontos em combustíveis Galp para motoristas.
A empresa aponta ainda para a transição energética como solução estrutural: “Mais de 43% dos TVDE em Portugal já são elétricos”, refere.
Setor sob pressão crescente
O aumento dos combustíveis, aliado ao custo de vida e à elevada concorrência, está a intensificar a pressão sobre os motoristas TVDE, numa altura em que o setor aguarda mudanças legislativas.
A tensão entre operadores e plataformas volta assim ao centro do debate, com impacto direto na mobilidade urbana e nos rendimentos de milhares de trabalhadores.