quarta-feira, 11 fev. 2026

Motoristas de TVDE vão desligar Uber e Bolt nas horas de ponta em protesto contra falta de regulação

A iniciativa decorre de segunda-feira, 19 de janeiro, até sábado, 24 de janeiro, entre as 07h00 e as 10h00. Neste período os motoristas irão desligar a Uber à segunda, quarta e sexta-feira e a Bolt à terça, quinta-feira e sábado
Motoristas de TVDE vão desligar Uber e Bolt nas horas de ponta em protesto contra falta de regulação

Os motoristas de TVDE vão desligar alternadamente as aplicações da Uber e da Bolt durante a próxima semana, nas horas de ponta da manhã. A ação de protesto é promovida pelo Movimento Cívico Somos TVDE contra a falta de regulação do setor.

A iniciativa decorre de segunda-feira, 19 de janeiro, até sábado, 24 de janeiro, entre as 07h00 e as 10h00. Neste período os motoristas irão desligar a Uber à segunda, quarta e sexta-feira e a Bolt à terça, quinta-feira e sábado.

“Os motoristas vão poder continuar a trabalhar através desta ação, simplesmente desligando uma das plataformas”, explicou o coordenador-geral do movimento.

Sob o lema “STOP: Uber/Bolt — Sem motoristas, não há viagens!”, o protesto terá âmbito nacional, mas deverá ter maior impacto nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde existe maior procura e concentração de motoristas.

Fernando Vilhais sublinhou que não se trata de uma paralisação total do serviço de transporte em TVDE, mas de uma forma de pressão organizada e acessível aos profissionais do setor.

Segundo o responsável, citado pela agência Lusa, as plataformas “têm capacidade para reduzir preços de forma sistemática para ganhar quota de mercado”, uma estratégia que, afirma, é suportada essencialmente pelo esforço dos motoristas.

“Enquanto este modelo estiver em vigor, os rendimentos vão ser sempre reduzidos”, frisou.

O coordenador do movimento denunciou ainda que Uber e Bolt garantem cerca de 25% do valor de cada viagem, independentemente do preço praticado, enquanto os operadores assumem os investimentos nas viaturas e os encargos com os motoristas.

“As plataformas atuam sobre operadores e motoristas como se fossem uma entidade patronal de todo o setor, o que não é permitido por lei”, afirmou, atribuindo esta situação à “má regulação” da legislação em vigor e defendendo a urgência de uma revisão da lei na Assembleia da República.

O objetivo do protesto é, segundo Fernando Vilhais, mostrar que as plataformas não podem atuar de forma impune, impondo unilateralmente as regras do mercado, ao mesmo tempo que se protege quem se encontra em situação laboral mais frágil e se assegura a continuidade do serviço aos clientes.

“O protesto está ao alcance de qualquer motorista”, acrescentou, apelando à adoção de um critério coletivo de desligar alternadamente as plataformas como forma de alerta para a persistente precariedade laboral e para a necessidade de condições dignas de trabalho e de uma regulação mais equilibrada.

Esta é a primeira ação de protesto do Movimento Cívico Somos TVDE, criado em outubro de 2025, que pretende representar os motoristas do setor, em particular os cerca de 80% que trabalham de forma independente.

Fernando Vilhais afastou a intenção de o movimento se constituir como associação formal, sublinhando que o objetivo é “acrescentar valor” às associações já existentes — a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) e a Associação Nacional Movimento — TVDE (ANM-TVDE) — para reforçar a expressão da causa junto da sociedade.