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Portugal arrisca perder competitividade turística junto do mercado francês em 2026, numa altura em que os consumidores procuram férias mais baratas e acessíveis. O alerta é deixado pela Sky Expert, com base nos dados mais recentes do barómetro Digitrips/L’Écho Touristique, que mostram um aumento significativo do preço médio dos voos entre França e Portugal.
Segundo o estudo, viajar de França para Portugal custa atualmente, em média, 332 euros, mais 6% do que no ano passado. Em sentido contrário, vários destinos concorrentes do Mediterrâneo registaram descidas nos preços das ligações aéreas. Espanha caiu 6%, para 269 euros, Marrocos desceu 5%, para 340 euros, enquanto a Albânia apresentou a maior quebra, com uma redução de 36%, fixando o preço médio nos 218 euros.
A diferença é particularmente relevante no caso espanhol. Além de mais barato, o destino beneficia do reforço das ligações ferroviárias de alta velocidade entre França e várias cidades espanholas, tornando-se uma alternativa mais acessível para os turistas franceses.
«Enquanto Espanha e Itália reforçaram a integração ferroviária com França, Portugal fez exatamente o contrário: perdeu o Sud Express, falhou a modernização ferroviária internacional e ficou excessivamente dependente do transporte aéreo e rodoviário, precisamente os modos mais expostos ao aumento dos custos energéticos e operacionais», afirma Pedro Castro, especialista em aviação.
O contexto económico em França poderá agravar esta tendência. Estudos recentes indicam que os franceses continuam interessados em viajar este verão, mas com maior contenção financeira. O barómetro “Férias de Verão 2026”, da Europ Assistance/Ipsos, revela que mais de metade dos franceses que já planearam férias optaram por permanecer em França, um aumento de 15 pontos percentuais face ao ano passado.
Ao mesmo tempo, dados da Alliance France Tourisme e do Ifop apontam para uma quebra nas intenções de viagem. Apenas 37% dos franceses dizem ter a certeza de que viajarão este verão, contra 50% em 2025. Entre os inquiridos, 51% admitem reduzir o orçamento das férias, 61% planeiam encurtar estadias ou viajar menos vezes e 47% procuram ativamente ofertas mais económicas.
Neste cenário, destinos que consigam combinar preços competitivos, acessibilidade e perceção de valor tendem a ganhar vantagem. A Albânia surge como um dos principais exemplos dessa mudança. Além da forte descida nas tarifas aéreas, o país tem vindo a consolidar-se como um destino emergente no Mediterrâneo, graças ao custo mais reduzido do alojamento, restauração e transportes.
Já Portugal, segundo a análise da Sky Expert, enfrenta o efeito contrário: preços mais elevados, menor acessibilidade e forte dependência do transporte aéreo.
«Apesar de o Estado português controlar duas companhias aéreas relevantes no mercado França-Portugal, isso também não se traduz numa estratégia de acessibilidade competitiva para o destino», sublinha Pedro Castro. «Pelo contrário, muitas das tarifas mais baixas nas companhias do Estado servem sobretudo passageiros em ligação para mercados externos como Brasil ou Estados Unidos, enquanto o destino Portugal perde competitividade», acrescenta.
O responsável alerta ainda para o risco de perda gradual de quota num dos principais mercados turísticos para Portugal.
«Apesar da alta do combustível, em muitos mercados concorrentes, as companhias aéreas estão a baixar preços para estimular procura e proteger as suas quotas de mercado. Portugal arrisca assim ficar preso no pior cenário possível: acessibilidade degradada, preços acima da concorrência e perda progressiva de quota num dos seus mercados turísticos históricos...e quando essa tendência se instala, recuperá-la torna-se muito mais difícil e muito mais caro», conclui Pedro Castro.