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Dos cerca de 208 milhões de trabalhadores da União Europeia (111 milhões de homens e 97 milhões de mulheres), mais de 5 milhões estão em Portugal, um dos países com carga horária semanal mais elevada, com mais contratos temporários entre os jovens e com níveis salariais abaixo da média europeia, mas também com uma das mais elevadas taxas de emprego, nos jovens, entre os 25 e os 29 anos. Esta é uma das conclusões do estudo da Pordata.
Em termos salariais faz uma análise com outros países e destaca Luxemburgo, o país que, em média, mais paga aos trabalhadores (6.914,10 €), cujos salários são cinco vezes superiores aos do país com salários mais baixos, a Bulgária, com 1.282,3 € e são mais do triplo dos praticados em Portugal (2.068,2 €).
Já em matéria de salário mínimo nacional, o relatório lembra que se fixou nos 920€, em 2026, um aumento de 50€, em relação a 2025, que supera a taxa de inflação desse ano (2,3%). Em termos de evolução de longo prazo, o salário mínimo mais do que triplicou, entre 1995 e 2025 (de 259,4€ para 870€ em valor nominal) e, em termos reais (anulando o efeito da inflação), é cerca de 75% superior.
Por sua vez, o trabalho à distância (sempre ou apenas alguns dias por semana) é praticado por 23,1% dos trabalhadores na União Europeia, enquanto Portugal apresenta um valor ligeiramente inferior, de 21,3%. Países com salários mais elevados tendem a ter maior prevalência de teletrabalho.
Na União Europeia, 39,5% dos trabalhadores têm diploma de ensino superior. Portugal, onde 35,2% dos trabalhadores têm ensino superior, faz parte do grupo de 11 países que estão aquém da média europeia na escolaridade, apesar da melhoria de 10 pontos percentuais na última década.
Quanto à produtividade, na UE, cada trabalhador contribui com cerca de 74 mil euros para o produto interno bruto (dados de 2024). Irlanda (194 mil euros), Luxemburgo (152 mil euros) e Bélgica (110 mil euros), são os três países onde a produtividade do trabalho é mais elevada. “Portugal aparece na parte inferior do ranking europeu, com uma produtividade média de 48 mil euros por trabalhador. Este indicador é fortemente influenciado por valores especialmente baixos em setores-chave nos países mais ricos, como indústrias extrativas e serviços técnicos especializados. Ainda assim, Portugal destaca-se na produtividade em três setores: produção e distribuição de energia, atividades financeiras e de seguros e na área do alojamento e restauração”, aponta o estudo.
Em relação às profissões, Portugal, tal como na UE, cerca de dois terços dos trabalhadores concentram-se em quatro grandes grupos profissionais: especialistas de atividades intelectuais e científicas; trabalhadores dos serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores; trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices e técnicos e profissões de nível intermédio. Portugal tem menos 4,3 pontos percentuais no grupo dos técnicos e profissões de nível intermédio e mais 2,7 pontos percentuais no grupo profissional que inclui os vendedores.
“A distribuição por ramos de atividade, em Portugal, é uma das mais semelhantes ao padrão europeu, apesar de registar maior peso no comércio e na restauração”, conclui.