Medicamentos para a diabetes usados para emagrecer estão a provocar forte queda no preço do açúcar

De acordo com o alerta dos especialistas, o preço irá continuar a descer de forma constante, pela influência dos fatores de produção e da utilização de medicamentos como tentativa para emagrecer.
Medicamentos para a diabetes usados para emagrecer estão a provocar forte queda no preço do açúcar

Os medicamentos para diabéticos são cada vez mais polémicos por serem usados para efeitos de emagrecimento. Mas neste momento está a ter outro impacto: o preço do açúcar está a sofrer uma queda acentuada em Madrid.

O açúcar custa agora metade do que custava em 2023 e o preço é o mais baixo desde outubro de 2020.

As pessoas que utilizam medicamentos, como o Ozempic, para emagrecimento rápido, recorrem inevitavelmente menos ao açúcar para manter os efeitos do medicamento - o que justifica a queda do preço do açúcar.

No entanto, também as condições meteorológicas favoráveis estão a ajudar os produtores a produzir mais e, consequentemente, a criar mais oferta - o que também tem influência na queda do preço.

Pela primeira vez desde outubro de 2020, o preço da cana-de-açúcar desceu abaixo dos 14 dólares (quase 12 euros). Chegou a aproximar-se dos 30 dólares (cerca de 25 euros) em 2023 e está agora nos 13,5 dólares, menos de metade desse recorde registado há pouco mais de dois anos.

De acordo com o alerta dos especialistas, o preço irá continuar a descer de forma constante, pela influência dos fatores de produção e da utilização de medicamentos como tentativa para emagrecer.

Mais oferta - menos procura

Os especialistas relacionam diretamente a queda na procura com os medicamentos injetáveis, como o Ozempic ou o Wegovy, que, apesar de terem sido projetados para controlar a diabetes, estão agora a ser usados como método para emagrecer. Os fármacos inibem o desejo de consumir açúcar (pensados para os doentes com diabetes que devem ter esse controlo diário), e aumentam a sensação de saciedade.

A descida tem vindo a acontecer nos últimos anos, principalmente devido a uma notória miudança de hábitos alimentares, nomeadamente da população europeia. No entanto, o aparecimento e adoção destes medicamentos para esse fim tornou a queda mais acentuada.

Até agora, na Europa, tratam-se apenas de injeções semanais, mas os EUA já aprovaram uma versão em comprimido. Ainda não está no mercado, mas especialistas alertam que continuará a ampliar o impacto destes medicamentos, que não são pensados para estes fins.