Manter empregabilidade ativa quando trabalhar até mais tarde é inevitável

A idade da reforma em Portugal vai aumentar para 66 anos e 11 meses em 2027, refletindo a subida da esperança média de vida. Especialistas alertam para a importância de preparar a carreira e reforçar a empregabilidade numa fase em que muitos trabalhadores terão de permanecer mais tempo no mercado de trabalho
Manter empregabilidade ativa quando trabalhar até mais tarde é inevitável

Nos últimos dias, muito se tem falado sobre a idade da reforma, sobretudo no panorama político. Mas o facto é que a idade legal da reforma em Portugal vai voltar a aumentar. Depois de estar fixada nos 66 anos e nove meses em 2026, passará para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo a portaria publicada pelo Governo no final do ano passado.

A subida, explicada pela evolução da esperança média de vida aos 65 anos, significa que milhares de portugueses terão de permanecer mais tempo no mercado de trabalho antes de acederem à pensão sem penalizações.

Num contexto em que a vida profissional se prolonga cada vez mais, especialistas sublinham a importância de manter a empregabilidade ativa ao longo da carreira — seja para procurar um novo emprego, mudar de área ou continuar competitivo até à idade da reforma.

Ferramentas digitais como um avaliador de CV podem ajudar trabalhadores de qualquer setor a melhorar o currículo, identificar pontos fracos nas candidaturas e aumentar as hipóteses de sucesso no mercado de trabalho.

Numa fase em que as empresas valorizam adaptação, competências e atualização profissional, um CV otimizado pode tornar-se decisivo para continuar empregado ou encontrar novas oportunidades.

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De acordo com a legislação em vigor, a idade normal de acesso à pensão varia em função da esperança média de vida aos 65 anos. A fórmula está prevista no Decreto-Lei n.º 187/2007 e é atualizada com base nos dados divulgados anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Tendo em conta a evolução da esperança média de vida aos 65 anos verificada entre 2024 e 2025, a idade normal de acesso à pensão em 2027 é 66 anos e 11 meses”, refere a portaria.

O novo valor representa um aumento de dois meses face a 2026, que já tinha registado uma subida idêntica em relação a 2025.

Nos últimos anos, apenas 2023 e 2024 contrariaram a tendência de agravamento da idade da reforma. Em 2023 verificou-se mesmo uma descida de três meses, fenómeno associado ao impacto da pandemia de covid-19 na esperança média de vida da população mais idosa.

Reforma antecipada continua sujeita a cortes

Apesar do aumento da idade legal, existem situações em que os trabalhadores podem pedir a reforma antecipada. Regra geral, o acesso pode ser solicitado a partir dos 60 anos, embora as condições variem consoante o regime aplicável.

Há exceções previstas para carreiras contributivas muito longas, desemprego de longa duração, profissões de desgaste rápido ou situações de deficiência.

Ainda assim, na maioria dos casos, reformar-se antes da idade legal implica penalizações significativas. Em 2026, quem pedir a reforma antecipada sem estar abrangido por regimes especiais poderá sofrer um corte de 17,63% devido ao chamado fator de sustentabilidade.

A este valor pode somar-se o fator de redução, que corresponde a uma penalização de 0,5% por cada mês que falte até à idade legal da reforma.

Num mercado laboral cada vez mais competitivo e numa altura em que trabalhar até mais tarde será a realidade para muitos portugueses, reforçar competências e manter um perfil profissional atualizado poderá fazer a diferença até ao momento da reforma.