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Mais de 35% das viagens em TVDE realizadas em 2025 começaram ou terminaram em estações de comboio, terminais rodoviários ou fluviais, um aumento superior a 20% face a 2024, ano no qual 23,6% das viagens tinham este tipo de origem ou destino.
Segundo um estudo divulgado esta segunda-feira pela plataforma Bolt, os serviços de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados estão a ser cada vez mais utilizados como complemento aos transportes públicos, sobretudo para ligar zonas residenciais aos principais interfaces urbanos e interurbanos.
A Bolt sublinha que esta evolução demonstra que os TVDE não substituem o comboio, o metro ou o autocarro, funcionando antes como solução para o chamado “primeiro e último quilómetro” das deslocações diárias.
O crescimento das viagens de e para interfaces de transporte acompanha a tendência de maior procura dos transportes públicos. Só no primeiro semestre de 2025, a CP – Comboios de Portugal transportou mais de 100 milhões de passageiros, um aumento de 9,3% face ao mesmo período do ano anterior.
Na Área Metropolitana de Lisboa, o número de passes carregados atingiu cerca de 12 milhões em 2025, o dobro do registado em 2019.
“À medida que as cidades portuguesas registam níveis históricos de utilização de transportes públicos, a articulação entre os diferentes modos de transporte é cada vez mais decisiva para a mobilidade urbana”, afirmou Mário de Morais, diretor-geral da Bolt em Portugal.
Segundo o responsável, citado pela agência Lusa, os dados “mostram claramente que os TVDE não substituem os transportes públicos — complementam-nos”, facilitando o acesso às principais estações e terminais e incentivando a escolha do transporte coletivo no dia a dia.
As estações e terminais com maior volume de viagens TVDE incluem a estação de Campanhã, o Terminal Rodoviário de Sete Rios, a Gare do Oriente e o Terminal Fluvial do Barreiro.
O estudo indica ainda que, à medida que mais pessoas recorrem aos transportes públicos, as viagens em TVDE estão a tornar-se mais longas, sobretudo nas categorias mais económicas. Em Lisboa, a distância média destas viagens aumentou mais de 12% face a 2024, enquanto no Porto o crescimento chegou aos 15%.
Este padrão sugere que os TVDE estão a ligar zonas residenciais menos centrais aos principais eixos de transporte público, reforçando a integração entre modos de mobilidade e o papel do setor no ecossistema urbano.